A única saída para Dilma

O afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) parece ser algo inevitável. Com um governo acossado por graves denúncias de corrupção, na expectativa da análise das famigeradas ‘pedaladas fiscais’ no Tribunal de Contas da União, e diante de uma situação belicosa com o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), Dilma não tem muitas alternativas. Numa comparação com o Mensalão do PT que provocou um abalo forte no primeiro mandato do então presidente Lula, com o atual cenário, a economia brasileira acabou salvando o mentor e padrinho político de Dilma. Luiz Inácio foi reeleito com vitória folgada sobre o hoje governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP).

Foto: Flickr. Jonas Pereira/Agência Senado

Foto: Flickr. Jonas Pereira/Agência Senado

A crise econômica que vivemos é o tempero para insuflar uma indignação maior diante da roubalheira generalizada no governo lulopetista. Associada ao sentimento de traição dos quase 52% dos eleitores que reelegeram a atual presidente. Numa campanha de difamação e desconstrução de adversários, fica claro que o êxito nas urnas pode até funcionar, mas o acirramento não propicia paz para governar. Na mais recente pesquisa de opinião pública CNT/MDA, a presidente Dilma Rousseff aparece com apenas 7,7% de aprovação popular. O quadro pode ser caracterizado como uma ‘decomposição política’ de um governo natimorto. Sem rumo.

Portanto, a única saída que vislumbro para a atual presidente do Brasil é a renúncia ao cargo. Conjectura sugerida pelo líder do Democratas no Senado, Ronaldo Caiado, e por algumas lideranças políticas da oposição. A mais sensata e corajosa decisão que podemos esperar da presidente Dilma. Trago também para esta reflexão uma ideia dada por Eduardo Jorge, ex-deputado e candidato à presidência da República pelo PV no último pleito. Ele sugeriu entre outros pontos, que a presidente pedisse desfiliação do Partido dos Trabalhadores e fizesse um governo novo. Com menos ministérios e quadros qualificados, com nomes de postura ilibada. Impossível. Dilma sinalizou aos ministros do seu governo, que saiam em defesa do ex-presidente Lula, investigado pelo Ministério Público Federal por tráfico de influência internacional. Ele, Luiz Inácio, é o mentor dessa trama toda que envolve o partido e o governo Dilma. Ajudado por José Dirceu e companhia, é claro.

Ademais, o relógio caminha sem parar, num tic-tac que incomoda. O tempo não para, mas também não adianta. Nosso país caminha numa recessão terrível, à beira de uma crise institucional e os poderosos seguem encastelados nos Palácios e nas teias de benesses da base aliada. Resistem ao anseio do povo que foi enganado. O desejo de punição exemplar para todos os corruptos e o cumprimento da Constituição é notório. Os aplausos nas ruas para o juiz Sérgio Moro,  corroboram esse sentimento do povo. O crime de responsabilidade não pode ser esquecido. Não existe tese de golpe. É cumprir a Constituição e pronto.

O presidente da República não está acima das leis! Fernando Collor de Melo foi forçado à renúncia após a abertura do processo de impeachement, quando foi pilhado numa situação até menos complicada do que a atual, numa comparação rápida. Sugiro que a presidente Dilma Rousseff renuncie, tal qual Jânio Quadros, e não caia sozinha. Talvez ela tenha um lugar mais honroso na história da República, se tiver a coragem de entregar a máfia de criminosos que assaltou a Petrobras e afundou o país num lamaçal de vergonha e tristeza. Pede pra sair, Dilma!

Daniel Lima é Jornalista, membro da Juventude Democratas da Paraíba e Vice-Presidente Nacional da Juventude Democratas.