As relações entre Brasil e a União Europeia (UE) parecem estar em um período de significativa retração, mesmo após anos de avanços e retórica positiva. Desde que a Parceria Estratégica foi assinada em 2007, as partes têm mantido um calendário de compromissos anuais em cúpulas presidenciais. No entanto, a VII Cúpula, realizada após rumores de seu cancelamento a pedido do Brasil, ocorreu em um clima de grande pessimismo, sinalizando uma desaceleração na cooperação.
Em 2013, o panorama era bem diferente e permitiu que Brasil e UE discutissem uma ampla gama de temas. Naquele encontro, eles compartilharam visões e se comprometeram a cooperar em questões globais, como a reforma do sistema financeiro, as mudanças climáticas e a não-proliferação nuclear. Além disso, as negociações para um acordo de livre-comércio entre a UE e o Mercosul ganharam impulso, com um compromisso de apresentar propostas de redução tarifária. Outros pontos relevantes, como a insegurança em várias regiões e a expansão de comércio e investimentos, também foram abordados, dando a impressão de que a parceria estava madura e pronta para evoluir.
Apesar do otimismo da reunião de 2013, a parceria não conseguiu sustentar o ímpeto devido à falta de políticas externas proativas de ambas as partes. Recentes desentendimentos comerciais, combinados com contextos domésticos desfavoráveis, tanto no Brasil quanto na UE, levaram as relações a um ponto baixo. O que parecia ser uma parceria madura, pronta para virar a retórica em prática, acabou perdendo força, resultando na atual retração.
Ano: 2014
ISBN: 978-85-7504-184-0
Producido por: Konrad Adenauer Stiftung
Editor: Felix Dane