As três chaves da relação Brasil-Rússia

A psique antiamericana da esquerda brasileira e o desejo de Lula de se destacar no cenário internacional explicam como o país se move. O risco? Ofender os EUA e a Europa, chave para rejeitar o golpe de Bolsonaro

Por: Marco Bastos 10 May, 2023
Lectura: 6 min.
Sergei Lavrov - @Fabio Rodriges-Pozzebom/Agencia Brasil
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Acesse a versão em espanhol.

No dia 15 de abril, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva estava em Beijing para uma visita de Estado ao imperador chinês Xi Jinping. Em uma entrevista, Lula criticou Estados Unidos e União Européia por “incentivarem a guerra”. Nos dias posteriores Lula deu várias declarações que igualavam o agressor Rússia e a agredida Ucrânia. Depois, o chanceler russo Sergei Lavrov visitou Lula na residência presidencial em Brasília. Ao lado do Ministro das Relações Exteriores brasileiro Mauro Vieira, Lavrov disse que Brasil e Rússia “tinham a mesma visão” de mundo.

Três camadas explicam o comportamento de Lula e suas declarações sobre a Rússia-Ucrânia: 1) tradição diplomática brasileira de não alinhamento; 2) tentativa de ampliar o alcance diplomático brasileiro; 3) Ideologia e visões de mundo dele e de parte da esquerda brasileira.

Tradição de não alinhamento

A tradição diplomática do Brasil é de não-alinhamento desde a década de 1940. Poucos governos mudaram isso. O governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) foi um deles, alinhando-se com Donald Trump e seu movimento reacionário.

Nos anos 1940, Getulio Vargas barganhou vantagens econômicas e equipamentos militares para lutar ao lado dos Aliados na Segunda Guerra Mundial. Nos anos 1990, Fernando Henrique Cardoso se engajou fortemente na diplomacia tanto com a América do Sul quanto com os Estados Unidos, em uma estratégia batizada de “independência na participação”.

Na maior parte da História, o Brasil tentou aumentar sua autonomia. Dada esta tradição diplomática, o Brasil não adota sanções unilaterais. Historicamente, segue sanções do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) e da Organização Mundial do Comércio (OMC).

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O não-alinhamento e a necessidade econômica explicam a postura brasileira de não sancionar a Rússia, seguindo a postura de seus sócios fundadores dos BRICS – China, Índia e África do Sul. Matias Spektor, um dos mais influentes pesquisadores de política externa brasileira, recentemente escreveu que esse é um comportamento racional de Estados emergentes e que eles não lembram com saudade da ordem unipolar liderada pelos EUA. Para eles, a ordem multipolar pode trazer mais vantagens.

O Brasil não se indispõe com a Rùssia de olho também em sua relação com a China, que promete investimentos bilionários. Como disse o ex-Secretário do Tesouro americano Larry Summers, a China oferece um aeroporto, os Estados Unidos oferecem uma palestra.

Lula visita a Xi - Fuente PIIE
Lula visita Xi – Foto: PIIE

Ideologia

Há várias camadas. Lula acredita que o governo americano fez um complô com o juiz da Lava Jato Sergio Moro para prendê-lo. Lula citou essa teoria da conspiração em entrevistas recentes. É um fato que a Agência Nacional de Segurança (NSA) espiou a então Presidente Dilma Rousseff e a maior empresa do país – Petrobras, o que não gera boa vontade entre os petistas com Washington DC.

Por mais pragmático que Lula seja (a sua formação é sindicalista – nunca foi um militante socialista ou comunista), ele é o líder de um partido de esquerda e muitas pessoas da esquerda brasileira são anti-americanas porque têm uma mentalidade de Guerra Fria e ainda culpam os Estados Unidos por apoiarem o golpe de Estado de 1964 e o regime que durou 21 anos.

O sociólogo Celso Rocha de Barros, que tem um livro sobre a formação do Partido dos Trabalhadores (PT) nota que parte da esquerda tem a ideia de que a Rússia, na guerra, representa os países emergentes do Sul Global contra um aliado da OTAN. O site Brasil247, um portal de notícias que apoia o PT e o governo Lula, repetiu a propaganda oficial russa de “desnazificação” da Ucrânia.

Alcance diplomático

Em seus dois primeiros mandatos (2003-2009), Lula tentou expandir o alcance do Brasil. O país começou a participar dos BRICS e do G-20. O Brasil passou de 90 Embaixadas espalhadas pelo mundo a 129, incluindo Afeganistão and Coréia do Norte que fecharam por falta de condições de segurança. Lula e seu então chanceler Celso Amorim também tentaram negociar um acordo com o Irã em 2009 sobre o enriquecimento de urânio, mas fracassaram.

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Agora, Lula quer desempenhar um papel na guerra, mas as declarações de Lula e do seu conselheiro Amorim foram um desastre para a opinião pública.

O jornalista Serguei Monin do Brasil de Fato, único veículo brasileiro que tem correspondente para a Rússia, contou a Dialogo Politico que nenhum jornal brasileiro tem correspondente na Rússia desde 2018, o que reforça as visões de mundo trazidas pela mídia ocidental. Um diplomata brasileiro aposentado observou que a mídia brasileira olha muito para o Ocidente e que era fácil prever que a percepção seria que o Brasil estava se alinhando a Rússia.

Minha análise

Lula e Amorim podem querer que o Brasil seja mediador da guerra, mas a operação foi um desastre de relações públicas. Ademais, há um desperdício de recursos e de energia. O Brasil não tem capacidade material para mediar nada no Leste Europeu. Quantos especialistas em Rùssia e Ucrânia há no corpo diplomático? O Brasil deveria concentrar a sua energia diplomática na América do Sul e nas alterações climáticas – questões em que é fundamental.

Sobre a visão de parte da esquerda brasieira que apoia a invasão russa, é irônico pois Putin é o líder de um regime militar personalista, anti-liberal e financiado por oligarcas. Chamávamos a isso fascismo nos anos 20 do século passado. Lula chama Bolsonaro de fascista. De fato, tanto a esquerda latino-americana como a extrema-direita ocidental veneram Putin. A esquerda olha para Putin e vê resistência aos EUA. A extrema-direita olha para o discurso de superioridade da Nação e da etnia russa.

Se não fosse pelo apoio de americanos e europeus, provavelmente Bolsonaro teria conseguido dar o golpe de estado que desejava. Um risco para a diplomacia de Lula é não conseguir organizar tantos elementos ao mesmo tempo.

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Marco Bastos

Marco Bastos

Analista político y consultor de campañas electorales con foco en América Latina. Magister en Historia Económica por la Universidad de Buenos Aires. Analista en Southern Pulse.

Uruguay: el arte de la resistencia y la paciencia infinita

El gobierno de la coalición republicana ha mostrado cómo es posible reformar desde la centroderecha en una Latinoamérica convulsa y donde las promesas electorales tienden a no cumplirse. ¿Cuál ha sido su método?

Por: Daniel Supervielle 9 May, 2023
Lectura: 6 min.
Celebraciones por Luis Lacalle Pou - Fuente Flickr
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Uruguay logró aprobar una reforma clave para la viabilidad de su futuro y echó a andar una transformación educativa para mejorar la formación de las nuevas generaciones. Sin grandes festejos por parte de la gobernante coalición de centroderecha, ni resistencia violenta en las calles por parte de la oposición, el país dio una señal de madurez política. Demostró que desde el centro del espectro político también se pueden hacer cambios trascendentes.

Reforma de centro

La coalición de partidos ubicados del centro hacia la derecha aprobó una reforma del sistema de seguridad social uruguayo. Al concretar este cambio, enfocado principalmente en modificaciones al sistema de pensiones, el gobierno liderado por el nacionalista Luis Lacalle Pou cumplió con una de sus promesas electorales más trascendentes.

Para alcanzar los votos, se procesaron intrincadas negociaciones que llegaron a poner en tela de juicio la viabilidad de la reforma, y por ende el futuro de la coalición que gobierna el Uruguay. Se trata de una reforma moderada si se la compara con el proyecto original, con oposiciones desde el izquierdista Frente Amplio, pero reforma al fin.

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Para Uruguay, al igual que para muchos países, cambiar la seguridad social era necesario. Su aprobación demuestra que, ante el actual escenario de inestabilidad política en la región latinoamericana, un presidente de centro también puede realizar reformas de fondo. Porque además de abordar este tema difícil (basta ver la reacción popular en Francia) el gobierno inició una transformación educativa que luego de la pandemia está dando, contra viento y marea, sus primeros pasos.

El arte de resistir

«Esto es arte de resistencia» sostuvo días atrás un sincero dirigente estudiantil del Instituto Alfredo Vázquez Acevedo de Montevideo, uno de los más emblemáticos sitios de la educación pública secundaria del país, tras un conflicto que se disparó por la decisión de las autoridades de mudar un salón gremial que funcionaba en un corredor, sin la anuencia de los alumnos agremiados.

El conflicto, liderado por un gremio en el que militan regularmente un puñado de estudiantes, tuvo una inusitada escalada mediática y política. Detrás, subyace la resistencia a la transformación educativa que implementan las autoridades de la educación.

Se trata de un cambio largamente debatido y en donde también hubo consenso en el diagnóstico, aunque hasta ahora nadie se había animado a ponerlo en marcha. Ni siquiera durante los gobiernos de izquierda en Uruguay (2005-2015) se arriesgaron a enfrentarse al cambio, al sindicalismo conservador y a la inercia del «no te metas, que esto nos perjudica en las elecciones» tan propio de Uruguay.

Durante este período que comenzó en el 2020, el país sufrió varios contratiempos: la pandemia de covid-19, la prematura e imprevista muerte del ministro del Interior, Jorge Larrañaga, la peor sequía de los últimos 50 años, los impactos geopolíticos de la invasión rusa a Ucrania, la inestabilidad cambiaria de Argentina, entre otros.

Además, se vio salpicado por algunos escándalos inesperados como el procesamiento con prisión del jefe de seguridad del presidente de la República y el otorgamiento de un pasaporte a un narcotraficante retenido en Emiratos Árabes, acusado de ser el presunto autor intelectual del asesinato a sangre fría en una playa de Colombia del fiscal antimafia paraguayo Marcelo Pecci.

Senado da media sanción a reforma de la seguridad social en Uruguay. Foto: Medios Públicos
Senado da media sanción a reforma de la seguridad social en Uruguay. Foto: Medios Públicos

La prudencia de la moderación

El presidente Lacalle Pou es un liberal moderado que ha mostrado cómo gobernar es el arte de lo posible. Vivió en carne propia la necesidad de adaptar programas y planes a la negociación política y a las dinámicas internas y externas.

Uruguay acaba de obtener la mejor posición de su historia según la calificadora de riesgo Standard and Poor’s. Con un sobrio manejo de la economía, la conducción del Estado ha demostrado que los cambios profundos no tienen que ser necesariamente revolucionarios. Que desde el centro político también es posible hacer reformas.

Tanto la transformación educativa como la del sistema previsional, en un país con baja tasa de natalidad y poca población, poca inmigración y alza de la expectativa de vida, son una cuestión de supervivencia. Ahí es donde entra la voluntad política de asumir el costo de enfrentarse a quienes siempre se oponen a los cambios por cuestiones ideológicas o simplemente por cálculos electorales. Es decir, a los sectores más conservadores y temerosos de las transformaciones que, de tanto aferrarse a sus reivindicaciones, se olvidan del porvenir de la nación y del paso inexorable del tiempo y sus nuevas demandas.

Luego de ratificada la reforma, Lacalle Pou dijo en un video de YouTube: «Hay reforma, hay futuro». Con esa frase sintetizó su alivio, su esperanza y el logro del gobierno. Aunque las fuerzas de izquierda más radicales podrían llegar a activar una recolección de firmas para convocar un referéndum revocatorio, el gobierno cumplió con lo que prometió: aprobar la reforma de la seguridad social. El pasado 1 de mayo, día internacional de los trabajadores, la central sindical única de Uruguay deslizó la posibilidad de buscar derogarla.

Una democracia sólida

La fortaleza de la democracia uruguaya, de su sistema de partidos y de su cultura cívica son activos reconocidos por el resto de los países que integran un mismo continente complejo e inestable. Nadie puede asegurar que esta condición, en un mundo en cambio constante, dure para siempre. Sin embargo, estas dos reformas expresan que la paciencia y la pragmática pueden alcanzar cambios importantes sin derivar en conflictos o inestabilidad.

El expresidente José Mujica dijo en agosto de 2021: «Defendamos la democracia todos los días con una actitud de sobriedad. Y por entender que este pequeño país tiene un tesoro en ciertas tradiciones. Y si alguno ha definido que es el país del empate, este es el país del freno y del impulso. Quiero señalar históricamente que las pocas veces que este país acordó nacionalmente, logró cosas definitivas que quedaron implantadas y que son gestos de progreso. Esta es una lección que debemos recordar, que puede tener infinitos bajos en nuestra historia. Por eso, teniendo diferencias, vale la pena recordarlo: ser uruguayos, ser orientales, ser amigos de nosotros mismos».

Nadie más en las antípodas del pensamiento y el accionar político del actual gobierno del Uruguay que Mujica. Sin embargo, las palabras del anciano exguerrillero, ya alejado del ajetreo diario de la disputa partidaria, bien podrían atribuirse a cualquier mandatario uruguayo de los últimos 35 años.

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Daniel Supervielle

Daniel Supervielle

Periodista, analista, estratega político y pintor. Director de Comunicación Estratégica del Centro de Estudios de la Realidad Económica y Social. Autor de los libros La positiva (2014) y La libertad responsable (2022).

Petro y los diálogos sobre Venezuela

El gobierno colombiano realizó la Conferencia Internacional sobre Venezuela para activar una nueva negociación entre gobierno y oposición. ¿Qué puede decirse sobre esta iniciativa? ¿Cómo se originó, cuáles han sido sus resultados y qué esperar para el futuro?

Lectura: 8 min.
Petro y los diálogos sobre Venezuela
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Hace casi veinte años, en abril de 2004, un combativo diputado colombiano se presentaba en Caracas para participar en el II Encuentro Mundial de Solidaridad con la Revolución Bolivariana. Con el evento se buscaba dar un respaldo internacional al presidente Hugo Chávez, quien dos años antes había sido derrocado… por 48 horas. A pesar de su relativa juventud, aquel político costeño —que se llamaba Gustavo Petro— acumulaba una dilatada trayectoria política y fungía como diputado por el Polo Democrático Independiente. También acudieron en dicha ocasión, entre otros, el comandante sandinista Tomás Borge, la dirigente argentina Hebe de Bonafini y Evo Morales, líder del movimiento cocalero en Bolivia.

Otra figura emergente que participó en el aquel encuentro fue Nicolás Maduro, voluntarioso diputado del Movimiento V República (que luego daría lugar al actual PSUV) que unos meses antes había formado parte de la comisión negociadora del chavismo en la Mesa de Negociación y Acuerdos. Este fue un mecanismo de diálogo que el expresidente colombiano César Gaviria, a la sazón secretario general de la Organización de Estados Americanos (OEA), había impulsado con la intención de canalizar el conflicto político en Venezuela. Según rezaba la resolución 833 del Consejo Permanente de la OEA, la salida política a dicho conflicto debía ser «democrática, pacífica, constitucional y electoral».

El cultivo de una relación especial

Dice el tango que veinte años no es nada. Petro y Maduro son ahora presidentes de sus respectivos países. En la misma senda, Morales no oculta las ganas de repetir la experiencia. Venezuela, por su parte, sigue buscando la solución democrática, pacífica, constitucional y electoral. Se han desarrollado sucesivos procesos de diálogo en Caracas, Santo Domingo, Oslo y Barbados, mientras distintos actores foráneos asumen las tareas de facilitación. Desde hace casi cuatro años el encargado es el gobierno de Noruega, cuyos esfuerzos por conducir las conversaciones que tienen lugar en Ciudad de México —o que deberían tenerlo, según el guion previsto— no han rendido grandes resultados.

Pero Maduro y Petro viven momentos distintos. El primero lleva diez años a la cabeza de una Venezuela arruinada, de la que ha salido casi la cuarta parte de su población y no está en condiciones de suceder a Chávez como líder de la izquierda latinoamericana —algo que este logró a golpe de petrodólares—. Mientras, el presidente colombiano aspira tomar el testigo de ese liderazgo regional, poniendo cuidado en que la empresa no naufrague como al otro lado del Arauca.

Petro cuenta con varias ventajas en este sentido. Ha superado las mocedades que todavía aquejan a Boric. Pero aún no sufre las cargas y achaques de Lula o AMLO. En cuanto a experiencia política, supera ampliamente a Fernández en Argentina y a su amigo Castillo del Perú. Tiene, además, la suerte de haber heredado una de las economías más estables de Sudamérica. Todo ello le facilita una ambición personal: ponerse a la cabeza de esta segunda oleada de izquierdas. Busca promover una agenda progresista en la que se destacan sus propuestas sobre inclusión social, medio ambiente, despenalización de los cultivos de coca y una gestión particularmente comprensiva y amistosa de la cuestión venezolana.

Petro y sus objetivos

Pero el lío que se ha montado en la cuna de Bolívar no es hueso fácil de roer. El manejo de las relaciones con Venezuela es y ha sido siempre asunto primordial y laborioso en la Casa de Nariño. La agenda binacional, históricamente compleja, se ha vuelto en extremo tóxica y peligrosa durante el actual siglo. No obstante, Petro confía en manejarla de forma singularmente eficaz, gracias a varios factores que parece tener a su favor. El principal de todos, el que verdaderamente marca un giro en las relaciones bilaterales de los últimos tiempos, es que Petro es el primer presidente afín con el que el chavismo puede contar en Bogotá. Dicha afinidad no implica una comunión incondicional (¿existe semejante cosa en política?), pero sin duda aporta una comunicación mucho más fluida que la que a duras penas mantuvieron chavismo y uribismo.

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En virtud de la familiaridad existente, los objetivos de Petro con respecto a Venezuela se concentran en propiciar la estabilidad en casa de un vecino (y pariente ideológico) especialmente conflictivo, y en lograr de ese modo hacerlo presentable a todo el vecindario, incluso ahora cuando, al calor de una segunda marea rosa, la familia progresista ha ocupado casi todo el vecindario y los vínculos ayudan a limar asperezas. De ahí que las primeras medidas tomadas por Petro ante Venezuela hayan consistido en el retiro del estatus diplomático otorgado por Duque al gobierno interino que presidía Juan Guaidó, el reconocimiento a Maduro como legítimo presidente de Venezuela y la devolución al chavismo del manejo de la empresa Monómeros en Colombia.

Venezolanos cruzan a Colombia por el puente Simón Bolívar, sobre el río Táchira | Shutterstock
Venezolanos cruzan a Colombia por el puente Simón Bolívar, sobre el río Táchira | Foto: Shutterstock

Conferencia Internacional sobre Venezuela

Con la ayuda de las artes diplomáticas que caracterizan al embajador Armando Benedetti en Caracas, el presidente colombiano se ha enfrascado en viajes y reuniones con su homólogo venezolano. Procuró la reapertura de la frontera comercial entre ambos países e intenta gestionar el espinoso asunto de la lucha con las facciones rebeldes de las FARC y de los diálogos con el Ejército de Liberación Nacional (ELN), organizaciones que operan con notoria impunidad en Venezuela. Y mientras Petro busca la ayuda de Maduro en estos asuntos, Maduro busca la ayuda de Petro para manejar el más enojoso de los obstáculos que aún le impiden consolidar plenamente su poder: las sanciones impuestas por los Estados Unidos, Canadá y la Unión Europea.

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Como los norteamericanos y los europeos se niegan a levantar dichas sanciones sin que el régimen de Maduro despeje la vía para unas elecciones libres, el presidente colombiano ha hecho gala de su mayor talento diplomático para intentar convencer a Washington y Bruselas de que sin el levantamiento de las sanciones no habrá más democracia en suelo venezolano. Para ello, y sin pretender menoscabar el Proceso de México, Petro organizó en Bogotá la reciente Conferencia Internacional sobre Venezuela, para la cual invitó a veinte países. Los negociadores de la oposición venezolana —que por alguna razón confían en que los amigos de Maduro puedan facilitar las cosas— se reunieron con Petro tres días antes y declararon sus expectativas de que la Conferencia pudiera producir una declaración que exhortara a Maduro a volver a los diálogos de México.

Petro, Biden y Venezuela

Pero sucede que previamente Petro llegó al punto de viajar a Washington para reunirse en la Casa Blanca con el presidente Biden, cuyo equipo dejó claro que solo aligerarán las sanciones cuando Maduro acepte un cronograma electoral con garantías, la depuración del registro de votantes, una misión de observación electoral verdaderamente seria y la validación de figuras políticas actualmente vetadas por el chavismo.

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Después de tales aclaratorias, ni siquiera el interés de las petroleras europeas por obtener ventajas parecidas a las que se concedieron a Chevron sirvió para mover las cosas. De los veinte países asistentes, muy pocos enviaron a sus cancilleres. Y mientras Maduro exigía públicamente que Estados Unidos cumpla con el único acuerdo firme alcanzado en estos mecanismos de diálogo —el desbloqueo de MM USD 3.200 pertenecientes al Estado venezolano, mientras se extendía la licencia de operaciones a Chevron en Venezuela—, un incómodo Guaidó huyó de Venezuela para aparecerse en Colombia, donde el canciller colombiano lo acusó de entrar ilegalmente al país y le mostró el camino de salida hacia los Estados Unidos. Al final, la cumbre no produjo ninguna declaración conjunta.

El interés de negociar

Está claro que la verdadera negociación es la que está planteada entre Maduro y los Estados Unidos. De momento, la oposición venezolana, que se mantiene en la mesa de negociaciones, está muy debilitada por el hostigamiento oficialista y el descrédito de su propio desempeño. La oposición se ha visto obligada a cifrar todas sus cartas negociadoras en la presión que decida ejercer Washington y en la buena voluntad de los demás gobiernos. Estos, a pesar de su disposición para ayudar, también tienen sus propios intereses en juego. Si la oposición venezolana no renueva la legitimidad de su carácter representativo de la sociedad, es probable que la suerte de Venezuela recaiga en las negociaciones de la autocracia con actores foráneos. Además del rol primordial que juegan las grandes potencias, Petro está trabajando duro para ser también uno de los actores más determinantes al respecto.

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Miguel Ángel Martínez Meucci

Miguel Ángel Martínez Meucci

Profesor de Estudios Políticos. Consultor y analista para diversas organizaciones. Doctor en Conflicto Político y Procesos de Pacificación por la Universidad Complutense de Madrid

Noticias falsas y homicidios: libertad de prensa en Latinoamérica

Desde México hasta Brasil, la región se enfrenta a polarización, mentiras y la mitad de muertes de periodistas del mundo. La libertad de prensa está amenazada.

Por: Zoe von Blücher López 5 May, 2023
Lectura: 6 min.
Noticias falsas y homicidios: libertad de prensa en Latinoamérica
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

La Clasificación Mundial de la Libertad de Prensa 2023, elaborada anualmente por Reporteros Sin Fronteras (RSF), muestra que siete de cada diez países presentan un ambiente de riesgo para sus periodistas. Basándose en indicadores como contexto político, marco legal, seguridad y contexto socioeconómico, el reporte permite reconocer el decadente estado de la libertad de expresión en los medios.

Los recientes cambios hechos a Twitter, ahora liderado por Elon Musk, así como la disponibilidad de inteligencia artificial que crea realísticas imágenes ficticias, contribuyen a la dispersión de noticias falsas en las redes sociales. Sin embargo, en algunas regiones, el mayor riesgo para la prensa no es qué se publica, sino qué le sucede a quien intenta publicar.

Una trayectoria violenta

América Latina es considerada la región más peligrosa para los reporteros. Es responsable de casi la mitad de las muertes violentas a periodistas en el mundo.

Según RSF, en algunos Estados como Paraguay, Bolivia y Colombia se contemplaron avances en el último año. Sin embargo, incluso países latinoamericanos con puntajes más altos como Costa Rica, Argentina o Uruguay muestran un significativo descenso en sus desempeños, de hasta 15 posiciones en comparación con 2022. Este fenómeno se explica por la polarización política y medidas de obstrucción al acceso a información gubernamental.

Particularmente notorio es el drástico descenso de Perú en el índice, que califica 33 posiciones por debajo del año anterior. Esto se debe a la intensificación de su crisis política y los violentos enfrentamientos entre manifestantes y fuerzas armadas bajo el gobierno de Dina Boluarte.

Digno de mención igualmente es Honduras. Ocupa el lugar 169 de 180 a nivel mundial, con lo que se ubica debajo de autocracias como Venezuela o Nicaragua, y solo tres lugares sobre la censurada Cuba. Desde la instauración del estado de excepción en 2022 por violencia y crimen organizado, se han suspendido seis derechos constitucionales, entre ellos el derecho a reunión. Esto limita seriamente la libertad de prensa, y en general la democracia y la libertad de expresión.

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La situación es similar en El Salvador, donde el estado de excepción se implementó nueve meses antes que en la vecina Honduras. De esta manera, el presidente Bukele ha logrado limitar el acceso a información sobre el gasto público. De acuerdo con RSF, periodistas, en especial mujeres, se enfrentan a menudo a amenazas y ataques por la policía. Pueden recibir hasta 15 años de sentencia por publicar mensajes en redes sociales proveniente de «grupos criminales». A pesar de esto, El Salvador obtiene un puntaje de 115, bastante por delante de Honduras.

México, núcleo de homicidios

El actual presidente López Obrador ha sido uno de los mayores propagadores de noticias falsas durante su propio gobierno. En congruencia con estrategias populistas, frecuentemente denigra a los noticieros de oposición. Incluso ha creado la sección semanal «Quién es quién en las mentiras» dentro de su conferencia matutina, en la que se desacreditan informaciones que desfavorecen su narrativa.

No obstante, el mayor contribuyente a la deficiente puntación de México por la RSF se debe a su categorización como el país con más homicidios a periodistas en el mundo. Según cifras oficiales, en 2022, 14 reporteros fueron asesinados por su trabajo en México, un nuevo récord para la nación. Este número supera al de países con guerras activas como Ucrania y Yemen. Desde el año 2000, aproximadamente 150 periodistas han sido asesinados en esta nación, sin contar a desaparecidos.

El mayor riesgo es para quienes reportan a nivel local y en zonas rurales. Este fue el caso de la reciente desaparición de Roberto Flores, quien publicaba denuncias ciudadanas sobre actos de corrupción en Chiapas. De manera similar, el crimen organizado y las fuerzas armadas juegan un papel importante en las desapariciones forzadas y el hostigamiento.

LIbertad de prensa amenazada en Latinoamérica

¿Superando el bolsonarismo?

Similar a López Obrador y su simpatizante político Trump, el expresidente Jair Bolsonaro desempeñó gran hostilidad hacia los medios y emitió continuamente mentiras: sobre la pandemia, sobre sus oponentes y sobre el presunto fraude electoral. Los efectos de este último fue la causa del violento asalto a los tres poderes en Brasilia el pasado enero.

Sin embargo, la transición presidencial a Lula da Silva hizo que Brasil ascendiera 18 puestos en el índice en tan solo un año. Este es un récord positivo para el continente americano. Aun ante una sociedad altamente polarizada, se espera que la ausencia de Bolsonaro enmiende la relación con los medios a largo plazo.

Actualmente, el Congreso está estudiando el Proyecto de Ley de las Fake News. Este impondría sanciones a las empresas tecnológicas que no tomen medidas contra noticias falsas y contenidos ilegales en sus plataformas. Ya ha provocado reacciones negativas de empresas como Google y Facebook. El proyecto es muy polémico y los expertos advierten sobre el efecto que podría tener sobre la libertad de expresión.

Aunque no se compara con el número de víctimas mexicanas, en Brasil también se observa un problema de violencia agravada hacia periodistas. En 2022, tres de ellos fueron asesinados por su trabajo. En dos de los casos, este se relacionaba a los daños hechos a comunidades indígenas en el Amazonas.

Perspectivas para la libertad de prensa

Se observa una convergencia entre países con instituciones democráticas debilitadas, así como tendencias autocráticas, y un bajo nivel de libertad de prensa. Sólo una división de poderes efectiva, que sostenga los derechos constitucionales y regule las fuerzas armadas, puede efectivamente proteger a periodistas de la violencia, y a los medios, de la censura.

En cuanto a avances tecnológicos, un delicado balance debe ser respetado para evitar que mentiras obvias sean compartidas sin consecuencias, sin crear censura autócrata.

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Zoe von Blücher López

Zoe von Blücher López

Estudiante de relaciones internacionales en la Universidad de Ciencias Aplicadas de Rhine-Waal, Alemania. Pasante en la oficina de la Fundación Konrad Adenauer en Uruguay (2023).

Supremacía colorada  

La elección en Paraguay dio una victoria clara y la mayoría absoluta en el Parlamento al nuevo gobierno. Preocupan la inesperada votación alcanzada por un candidato antisistema y las persistentes acusaciones de corrupción.

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Elecciones en Paraguay - Fuente Flickr
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Los votantes dieron al Partido Colorado una victoria en todos los ámbitos. El nuevo presidente Santiago Peña no solo fue electo con clara ventaja, sino que también contará con una mayoría absoluta en ambas cámaras del Parlamento. Mientras un candidato antisistema logró un resultado sorprendentemente bueno, los grandes perdedores en estas elecciones son la izquierda y el centro. El desafío más importante del joven nuevo jefe de Estado será cumplir su promesa de renovación política. La mayor desventaja es su cercanía con el expresidente Horacio Cartes, acusado de corrupción.

Resultados claros

Finalmente, el resultado fue más claro de lo que muchos esperaban. El 30 de abril Santiago Peña, de la Asociación Nacional Republicana – Partido Colorado (ANR-PC), logró imponerse en las urnas con el 42,47% de los votos emitidos. El economista de 44 años relegó al segundo lugar a Efraín Alegre, del Partido Liberal Radical Auténtico, con un 27,48%. Mientras Alegre felicitaba a los ganadores en la noche electoral, Peña prometía buscar la «unidad» para «construir el país que necesitamos». Muy cerca del recién elegido presidente paraguayo estaba su mentor, el expresidente Horacio Cartes, acusado de corrupción por los Estados Unidos. Este dijo estar «abrumado por la emoción» y anunció que quería ser una «herramienta» para el éxito de Peña en el más alto cargo.

Con una participación electoral de alrededor del 63% de aproximadamente 4,8 millones de ciudadanos con derecho a voto, la Alianza Republicana Nacional, como se denomina plenamente al Partido Colorado, pudo registrar un éxito a todo nivel. Además de la presidencia, obtuvo también la mayoría absoluta en ambas cámaras y 15 de 17 gobernaciones. La gran perdedora de las elecciones fue la Concertación Nacional para un Nuevo Paraguay, una coalición multipartidista de centroderecha a izquierda, liderada por el Partido Liberal. Su elemento unificador más importante era su oposición al Partido Colorado.

Pocas diferencias ideológicas

Esta elección se centró más en la eventual expulsión del poder del Partido Colorado que en contenidos políticos. La cuestión se planteó en qué pesaría más: la aceitada maquinaria de poder ANR-PC o el deseo de cambio político de los paraguayos. En cuanto a las ofertas electorales, la de Efraín Alegre, en su tercer intento, difería solo marginalmente de la de los colorados. En algunas áreas, especialmente en la política de salud, trató cuidadosamente de establecer sus propios matices. Los colorados, por otro lado, se enfocaron principalmente en los temas de seguridad interna y valores familiares tradicionales. En parte, la campaña se asemejó a una guerra cultural, por ejemplo, cuando se acusó a la Concertación de estar controlada por grupos progresistas internacionales.

Si bien Paraguay retornó a la democracia en 1991 con las primeras elecciones locales tras la dictadura apoyada por el Partido Colorado de Alfredo Stroessner (1954-1989), el país no está acostumbrado a los cambios de gobierno. La única vez en setenta años que no gobernó un colorado fue entre 2008 y 2012, con el ex obispo católico de izquierdas Fernando Lugo. Sin embargo, este fue depuesto por el Parlamento antes de finalizar su mandato. Por lo demás, el Partido Colorado ha dominado ininterrumpidamente en Paraguay construyendo un sistema clientelar que vincula estrechamente al partido y al Estado.

Máquina del poder dividida

Aunque en los últimos años el partido se ha esforzado por dar una imagen decididamente conservadora, se trata ante todo un multifacético equipo y una maquinaria electoral aceitada con mucho dinero. Tras la victoria electoral de Fernando Lugo, el empresario Horacio Cartes se integró a estas estructuras y ganó las elecciones presidenciales de 2013. Por esto Cartes es percibido como un intruso por algunas élites tradicionales del partido.

Cartel bilingüe en la elección paraguaya - Foto de Carmen Ramírez

Desde su entrada en política, la implicación del magnate en actividades ilegales también se ha vuelto un asunto cada vez más público. Cartes es el mayor fabricante de cigarrillos del país y sus ventas superan en claramente el consumo interno de tabaco en Paraguay. Es un secreto a voces que la mayor parte de la producción se destina al contrabando, especialmente a Brasil.

Las actividades de Cartes fueron criticadas en repetidas ocasiones por Estados Unidos. En 2022, la embajada estadounidense lo declaró «significativamente corrupto», invalidó su visado e interrumpió su acceso al sistema financiero estadounidense. Entre otras cosas, Cartes está acusado de sobornar a congresistas mediante generosas estructuras salariales paralelas. La división dentro del Partido Colorado entre el ala de Cartes y sus oponentes internos dejó al partido prácticamente dividido en dos facciones: una de ellas leal al presidente saliente, Mario Abdo Benítez, y la otra a Cartes.

Éxito para un outsider de la política

La mayor sorpresa de las elecciones fue el éxito sensacional del candidato antisistema de derechas Paraguayo Cubas. Sorprendentemente quedó tercero con el 22,9% de los votos, muy cerca de Efraín Alegre. Cubas es un excéntrico que llama la atención por sus permanentes provocaciones. En repetidas ocasiones criticó frontalmente a la democracia paraguaya o pidió la instauración de la pena de muerte. En 2019 fue expulsado del Senado por ataques violentos contra otros políticos y agentes de la ley. Aún más sorprendente que el resultado de Cubas fue el hecho de que su partido, Cruzada Nacional, obtuviera nueve escaños parlamentarios.

También llamó la atención en estas elecciones la debilidad de la izquierda política. Su principal figura, Fernando Lugo, tras sufrir un derrame cerebral que impidió que se reincorporara al Senado, apenas puede ser considerado un actor político. La lista parlamentaria de su izquierdista Frente Guasú se redujo de siete bancas a solo una, en el Senado. A diferencia de las elecciones de 2018, en las que Efraín Alegre se sintió obligado a presentarse con un candidato a vicepresidente decididamente de izquierdas, esta vez eligió a un exministro del gobierno de Cartes, políticamente independiente, para enviar señales al centro político. Sin embargo, esto no le ayudó. Contrariamente a algunas encuestas que pronosticaban un empate, Alegre, su Partido Liberal y toda la alianza de la oposición fueron castigados de una forma que les obligará a reflexionar sobre su estrategia política para el futuro.

Candidatura de oposición

Con Efraín Alegre la oposición no sólo ofreció un político convencional con bajos índices de popularidad, sino que utilizó el lema «Patria o mafia» y atacó especialmente a Horacio Cartes, en lugar de abordar de forma destacada las preocupaciones más importantes del pueblo. Según las encuestas, estas son: la inflación de los alimentos básicos y el desempleo.

Los votos de protesta contra Horacio Cartes y la clase política fueron a parar finalmente al candidato antisistema Cubas, en lugar de Alegre. En particular, el imperio mediático de Cartes informó intensamente sobre cada actividad de Cubas durante los últimos meses antes de las elecciones. El cálculo del bando de Cartes, de que Cubas podría atraer sobre todo a votantes potenciales de Alegre, funcionó a la perfección. Al dividir a la oposición, la movilización de su gran electorado de base bastó en última instancia para que los colorados ampliaran también significativamente su presencia parlamentaria.

Mientras que Santiago Peña recibió solo algunos más votos que Mario Abdo Benítez en 2018, Efraín Alegre se desplomó en alrededor de medio millón de votos en comparación con las últimas elecciones. Junto con otras fuerzas del centro político, el partido de centroderecha de orientación democristiana Patria Querida también se vio atrapado en esta vorágine negativa. Así, perdió cuatro mandatos parlamentarios como parte de la Concertación y ganó solo un puesto en el Senado y un mandato parlamentario.

¿Un gigante con pies de barro?

Teóricamente, el Partido Colorado durante los próximos cinco años dispondrá de un poder sin precedentes en la historia democrática del Paraguay. La oposición carece tanto de personalidades convincentes como de un programa común.  Aparentemente, la propuesta de un político joven, poco desgastado y ágil como Santiago Peña parecía atractiva dentro de las estructuras existentes. La proximidad de Peña a Horacio Cartes y las actividades de la embajada estadounidense parecen haber influido poco en los resultados electorales.

Persiste cierta esperanza de que el graduado de la Universidad de Columbia, que originalmente provenía del Partido Liberal y fue ministro de Finanzas en el gobierno de Cartes entre 2015 y 2017, pueda demostrar capacidad como político reformista. Sin embargo, cuán contundente pueda ser una agenda reformista depende de que Peña pueda ganar la estatura política suficiente para impulsarla, incluso en contra de los intereses económicos y políticos de su mentor. Como delfín de Cartes, Peña apenas tiene poder propio en el Partido Colorado. Esto puede ser especialmente peligroso para él porque la clara mayoría de los nuevos diputados y los recién elegidos gobernadores pertenecen a la facción rival del Partido Colorado. Debido a esta oposición interna, el nuevo presidente podría convertirse rápidamente en el proverbial gigante con pies de barro, si le falta tacto.

Desafíos pendientes para el Paraguay

Mientras tanto, el país se enfrenta a grandes desafíos. Ha disfrutado de un crecimiento económico robusto para los estándares regionales, gracias a su apuesta por la economía de mercado en las últimas décadas y a una estabilidad política poco habitual en América Latina. Al mismo tiempo, sigue siendo uno de los países más pobres de la región, donde el crimen organizado y la economía sumergida desempeñan un papel importante. También se han repetido episodios de violencia interna, como cuando Horacio Cartes intentó impulsar una enmienda constitucional en 2017 para presentarse de nuevo como candidato presidencial. O cuando el sistema sanitario estuvo a punto de colapsar en 2021 a raíz de la crisis de coronavirus.

Por el contrario, es poco probable que cambie la política exterior de Paraguay. Aunque el nuevo presidente ha dejado entrever una posible reanudación de las relaciones diplomáticas con Venezuela, Paraguay sigue siendo crítico con los regímenes autoritarios de izquierda de la región. En una América Latina gobernada por numerosos matices de la izquierda política, esto es actualmente la excepción más que la regla. También es llamativo que Paraguay sea el único país sudamericano que mantiene relaciones diplomáticas con Taiwán. Si bien en la campaña electoral Efraín Alegre había dejado abierta la posibilidad de un reconocimiento de China, el statu quo difícilmente cambie con Santiago Peña. Al menos en este punto parece haber unidad dentro del Partido Colorado.

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Sebastian Grundberger

Sebastian Grundberger

Coordinador de los países andinos en la Fundación Konrad Adenauer.

Zoe von Blücher López

Zoe von Blücher López

Estudiante de relaciones internacionales en la Universidad de Ciencias Aplicadas de Rhine-Waal, Alemania. Pasante en la oficina de la Fundación Konrad Adenauer en Uruguay (2023).

Paraguay en su puente colgante

El Paraguay viene transitando desde hace un buen tiempo por un puente colgante donde todo es inestable. Las bases del sistema institucional han sido puestas en tela de juicio. La democracia, que hasta ahora se daba por sentada, está en duda.

Por: Ana Rivas Tardivo 3 May, 2023
Lectura: 7 min.
Ciudadana de Paraguay emite su voto en urna electrónica, Foto de Carmen Ramírez
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

El Paraguay intenta despabilarse luego de un resultado inesperado. La rotunda victoria del oficialista Partido Colorado en las elecciones presidenciales, y su amplia mayoría en las cámaras del Legislativo, ha propinado una bofetada a todas las estimaciones.

Para los colorados, el terminante apoyo electoral del 43 % a Santiago Peña, abanderado del expresidente Horacio Cartes, fue una sorpresa. Para la oposición, agrupada en una coalición liderada por el Partido Liberal, fue la concreción de una pesadilla. Apenas alcanzó un 27 %.

El aspecto más resaltable de estas elecciones generales fue el salto de un factor antisistema, el movimiento Cruzada Nacional, liderado por Paraguayo Cubas, autodenominado anarquista, que dividió a la oposición. Su principal herramienta fue la violencia como arma política y con un discurso incendiario logró el 23 % de los votos.

La alternativa imposible

El esfuerzo opositor de cara a la elección no había sido menor. La dupla entre Efraín Alegre, como candidato a presidente por el PLRA, y Soledad Núñez como independiente candidata a vicepresidenta, llevó meses de negociaciones, búsqueda de consensos e intentos de unión desde la derecha moderada hasta izquierda convencida.

Se trató de dar una nueva oportunidad a la alternancia que, desde 1989 con la caída del movimiento de Alfredo Stroessner, sólo se logró una vez, cuando ganó el ex obispo católico de izquierdas, Fernando Lugo. Y fue precisamente Lugo quien, debido a su deteriorada condición de salud, desapareció del panorama político justo antes de dejar cerrados los acuerdos que hubieran podido torcer, al menos en parte, los adversos resultados opositores.

Ante la duda, el pueblo paraguayo eligió ratificar a un Partido Colorado cargado de acusaciones de corrupción, prebendarismo, clientelismo, vínculos con el narcotráfico y el crimen organizado. Pero, ¿por qué una mayoría aplastante en apoyo a semejante modelo? Los motivos son complejos y no van a desaparecer sólo porque los oficialistas consiguieron cinco años más al frente del poder. Trataremos de dar un pantallazo a las causas de un fenómeno casi inexplicable.

El puente colgante de Paraguay

El Paraguay viene transitando desde hace un buen tiempo por un puente colgante donde todo es inestable y todo puede bambolearse. Es una especie de punto de quiebre, de transición, donde todos los estamentos han sido puestos en tela de juicio y donde aquello que hasta ahora se daba por sentado, está en duda.

Uno de los debilitados hilos tensores de este puente colgante es el recambio etario. Están en retirada los liderazgos que surgieron después de la crisis de marzo de 1999, cuando el país superó la amenaza del autoritarismo al anular al exgeneral Lino César Oviedo y sus pretensiones presidenciales. Luego de treinta años, el modelo de gobierno surgido de aquella crisis está en franca decadencia, con sus códigos pasados de moda y con la lenta desaparición de sus figuras emblemáticas.

La lucha contra el stronismo y los regímenes autoritarios ya son cosas lejanas, historia antigua para un electorado joven que sólo ha vivido los años de la democracia y que cree, erróneamente, que las dictaduras son un fantasma del pasado.

Narcopolítica y crimen

El otro hilo tensor —esta vez muy sólido— es la incursión de la narcopolítica y el crimen organizado en los niveles de toma de decisiones. Es decir, en los estamentos de gobierno. El megaoperativo internacional denominado A ultranza, organizado para desmantelar un poderoso cártel que se dedicaba a enviar grandes volúmenes de cocaína a Europa, evidenció la protección política y la incursión de los narcos en el Parlamento.

Un diputado fue acusado y permanece preso por ser parte del esquema, mientras un segundo legislador, que acaba de resultar electo senador, sigue en la impunidad a pesar de las evidencias en su contra, gracias a la protección política de la ex fiscal general. Esta es acusada de tener vínculos con el sector al que pertenece el parlamentario: el de Horacio Cartes.

[Lee también: Las complicaciones del Paraguay en Latinoamérica]

Otro de los hilos del puente bamboleante es el propio Cartes. El gobierno de los Estados Unidos declaró al expresidente significativamente corrupto. Y la Oficina para el Control de Activos Extranjeros lo sancionó y lo obligó a desvincularse de sus numerosas empresas, ya que no pueden operar en dólares ni con intereses estadounidenses. Cartes es el mentor de la candidatura de Santiago Peña, elegido nuevo presidente de la República gracias a su estructura basada en su inmenso poderío económico.

Extraoficialmente, se conoce que su fábrica de cigarrillos Tabesa llegó a reportarle la friolera de 5 millones de dólares semanales de ganancias en concepto de venta de cigarrillos, los mismos que caían en los controles de la Receita Federal brasilera, ya que entraban de contrabando al territorio brasileño. Consultado al respecto, el electo presidente Santiago Peña dijo que la tabacalera no era responsable del contrabando, ya que «no podía controlar» lo que hacían los compradores de los cigarrillos de Cartes.

Nuevo sistema electoral

Un hilo más del inestable puente de la institucionalidad paraguaya es la propia innovación del sistema de votaciones, el que se inauguró con la aplastante victoria oficialista. El paraguayo de a pie es extremadamente conservador y la inclusión de máquinas de votación, con la impresión de las actas de votos, es un bicho raro para una mayoría que además sufre de un nivel educativo precario, muy por debajo incluso de la media latinoamericana. Este último es además el perfil clásico del puntero partidario, aquel personaje que hace de su vinculación partidaria un modo de vida y que no solo cobra por su voto, sino que consigue más electores a quienes comprar, a veces por montos irrisorios. La pobreza, combinada con un sistema históricamente prebendario y clientelista, hace el resto.

El triunfo colorado no hace más que añadir un nuevo cabo al puente de la inestabilidad, a pesar de lograr guarismos nunca antes alcanzados en la transición democrática. Ante la debilidad de un presidente «tutelado» por un líder cuestionado, enfrentará una oposición feroz en su propio partido y una nueva figura completamente impredecible: Paraguayo Cubas. Cubas es un exdiputado y dirigente social de frontera, autodefinido anarquista y posiblemente encasillable en el extremo de las posiciones políticas de derecha.

Antisistema

Cubas fue electo senador para el período 2018-2023 pero fue destituido del Senado luego de protagonizar innumerables incidentes, impedir el normal desarrollo de las sesiones y una pelea a golpes con concejales departamentales defendiendo una invasión de tierras. Es una figura inestable y peligrosa, debido a su reivindicación de la violencia como herramienta política. Sin embargo, él capitalizó la bronca de la gente por una sociedad desigual, que sufrió ferozmente el embate de la pandemia sin medicamentos ni sistema sanitario capaz, especialmente con la llegada tardía de las vacunas, lo que causó miles de muertos, la debacle de los puestos de trabajo y el atraso curricular estudiantil a niveles nunca vistos.

El desafío para el nuevo gobierno es detener el bamboleo del puente, cambiar los cabos por otros más sólidos y fortalecer las instituciones públicas. Por ahora, solo hay dudas sobre si Santiago Peña tendrá la capacidad siquiera de ver el puente y, sobre todo, saber cómo llegar a tierra firme.

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Ana Rivas Tardivo

Ana Rivas Tardivo

Egresada del Instituto de Comunicación e Imagen de la Universidad de Chile (1989). Trabajó en el diario La Tercera, Televisión Nacional de Chile y La Red Televisión en Chile. En Paraguay, fue cronista y columnista y la primera mujer jefa del área política del diario ABC Color, además de editora y coordinadora general del primer canal online de Paraguay, ABCTV.

Crisis de derechos humanos en América Latina y el Caribe

Algunos políticos utilizan la incapacidad de los gobernantes para enfrentar estos problemas como pretexto de acciones encaminadas a limitar los derechos humanos.

Por: Mariana Gómez del Campo 1 May, 2023
Lectura: 7 min.
Crisis de derechos humanos en América Latina y el Caribe | Foto: OVCS
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Los derechos humanos son una serie de prerrogativas que se sustentan en la dignidad humana. Su verdadera realización y respeto son imprescindibles para el desarrollo integral de la persona. Se trata de derechos que pertenecen a todos los seres humanos, sin distinción de nacionalidad, lugar de residencia, sexo, origen nacional o étnico, color, religión, lengua o cualquier otra condición. Todas las personas tenemos los mismos derechos humanos, sin discriminación. Estos derechos son interrelacionados, interdependientes e indivisibles.

En América Latina, los derechos humanos surgieron a fines de los años setenta, asociados al terrorismo de Estado en el marco de las dictaduras y gobiernos autoritarios de países como Brasil, Uruguay, Argentina, Perú y Chile. En este entorno, militares, paramilitares y agentes del Estado transgredían los derechos humanos de miles de personas. Entre estas violaciones podemos mencionar detenciones arbitrarias, prisión política, ejecuciones políticas, desapariciones, tortura y exilio.

Definitivamente, la situación de los derechos humanos en la región ha sido históricamente compleja y desafiante. Los conflictos políticos, sociales y económicos han dado lugar a la violación de estas prerrogativas en diversas formas.

Impunidad y abuso de poder

En la actualidad, la región enfrenta una constante lucha en materia de impunidad, abuso de poder, falta de acceso a la justicia y discriminación que sufren grupos vulnerables como las mujeres, las personas indígenas y los afrodescendientes. La violencia criminal y la inseguridad ciudadana son también temas preocupantes que impactan en los derechos humanos. América Latina y el Caribe es la región con la tasa anual de homicidios más alta del mundo. Durante este sexenio, en México, los delitos violentos han llegado a máximos históricos. Como mínimo se cometen 11 feminicidios al día. Y el presidente López Obrador, además de insistir en su absurda filosofía de «abrazos, no balazos» hacia los delincuentes, erróneamente le ha apostado a la militarización y reemplazado a policías civiles con soldados. Además, los delitos casi nunca se investigan y mucho menos se sanciona a los criminales.

Al respecto, es importante mencionar que el pasado 18 de abril fue un día histórico para México. Ocho ministros de la Suprema Corte de Justicia de la Nación declararon inconstitucional la militarización de la Guardia Nacional por violar el artículo 21 de nuestra carta magna. Este artículo prevé que la Guardia Nacional es un ente civil y su adscripción, sus acciones, planes y programas corresponden a la Secretaría de Seguridad y Protección Ciudadana. Por tal motivo, la Corte invalidó el traslado y control operativo y administrativo de la Guardia Nacional a la SEDENA y ordenó su regreso a esta dependencia a más tardar el 1 de enero de 2024.

Desmantelamiento de la institucionalidad

Por otra parte, y haciendo referencia brevemente a otros países de la región, destaca el hecho de que en El Salvador, las medidas impuestas por el Gobierno en materia de seguridad y el acelerado desmantelamiento de las instituciones democráticas han ocasionado violaciones sistemáticas a los derechos humanos por parte de las fuerzas de seguridad. Y, en Haití, las pandillas son responsables de una gran cantidad de asesinatos, secuestros y violencia de género. Allí, además, el sistema de justicia es prácticamente inservible.

En Ecuador se está incrementando el número de homicidios y la violencia perpetrada por pandillas. Además, la sobrepoblación y la falta de control estatal en las cárceles han permitido a las bandas delincuenciales reclutar nuevos miembros en ellas y asesinar a más de 400 personas detenidas, desde 2021.

Por otro lado, en Guatemala, el presidente obstaculiza los procesos judiciales por hechos de corrupción y otros delitos graves. Además impulsa procesos penales en contra de jueces, fiscales y periodistas independientes. En Argentina, el discurso en contra de jueces y la tardanza en su designación, además de la corrupción, han afectado gravemente el Estado de derecho. En Bolivia se impulsan cada vez con más frecuencia procesos penales por cuestiones políticas en contra de opositores.

Los deberes de los gobiernos

Los gobiernos tienen el deber y la obligación de enfrentar la crisis de derechos humanos que se vive en la región y luchar contra la pobreza, la desigualdad, la corrupción, la inseguridad y la degradación ambiental. Al mismo tiempo, contrario a lo que sucede en países como México, los gobiernos deberían defender la democracia.

Algunos políticos utilizan la incapacidad de los gobernantes para enfrentar estos problemas como pretexto para defender acciones encaminadas a limitar los derechos humanos. Impulsan así a millones de personas a buscar nuevas oportunidades en el extranjero.

En América Latina casi un tercio de la población vive en la pobreza y más de una décima parte en pobreza extrema. Más de la mitad de los ingresos totales de la región van a parar al 20% más rico. El racismo estructural continúa presente. La pobreza y la desigualdad afectan en forma desproporcionada a mujeres, niños, niñas y personas indígenas. Esto ha llevado al surgimiento de importantes crisis migratorias.

Efectivamente, la migración es una característica importante en la región. Sin embargo, las personas que salen de sus países de origen en busca de una vida mejor se enfrentan a una realidad desgarradora sin ayuda humanitaria ni regulación jurídica, y marcada por la exclusión social y la xenofobia.

Millones de personas han migrado escapando de la violencia, la represión y la pobreza. A una gran cantidad de migrantes se les niega la posibilidad de buscar protección internacional y enfrentan obstáculos en su trayecto, como las devoluciones en las fronteras. Recordemos que el gobierno de Joe Biden, ha promovido la imposición de políticas migratorias agresivas lo que ha ocasionado que la crisis se incremente.

Tragedias con los migrantes

Al respecto, no puedo dejar de mencionar la tragedia ocurrida en un centro de detención del Instituto Nacional de Migración, en la que por negligencia criminal 40 personas migrantes originarias de Colombia, Ecuador, El Salvador, Guatemala, Honduras y Venezuela perdieron la vida, pues se encontraban encerradas y nadie las dejó salir a pesar de que las llamas lo consumían todo. Fue un crimen de Estado.

Por ello exigí al secretario de Gobernación que asumiera diversos compromisos en relación con el caso. También denuncié lo sucedido, ante instancias internacionales como la Organización de las Naciones Unidas (ONU), Organización de los Estados Americanos (OEA) y la Comisión Interamericana de Derechos Humanos (CIDH) y solicité que emitieran las recomendaciones necesarias en materia de derechos humanos.

Finalmente, no debemos perder de vista que en Cuba, Nicaragua y Venezuela los regímenes opresivos no han dejado de cometer abusos terribles en contra de críticos y opositores para silenciarlos.

Resulta indispensable seguir trabajando para garantizar que los derechos humanos sean respetados y protegidos en toda la región. Debemos promover la educación, la concientización y el diálogo constructivo entre los diferentes actores sociales y políticos. No podemos dejar de alzar la voz en favor de la democracia y el respeto hacia la división de poderes que últimamente han sido severamente lesionados. Debemos seguir manifestándonos contra los abusos de poder, la impunidad, el autoritarismo y la corrupción, antes de que sea demasiado tarde. 

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Mariana Gómez del Campo

Mariana Gómez del Campo

Presidenta de la Organización Democrática de Cristina de América y secretaria de Asuntos Internacionales del Partido Acción Nacional. Ex diputada federal de México.

Las elecciones presidenciales de 2023 en América Latina

El panorama político en el continente está signado por varias elecciones. La participación declina y los resultados son inciertos.

Por: Salvador Romero Ballivián 28 Abr, 2023
Lectura: 6 min.
Elecciones presidenciales de 2023 en América Latina
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

La política latinoamericana incluye un número crecientemente variado de procesos electorales, desde primarias y referendos hasta comicios legislativos e incluso para elegir a los máximos órganos judiciales. Sin embargo, las elecciones presidenciales permanecen como el momento cumbre para la ciudadanía, los partidos, los medios, así como en el interés de la comunidad internacional.

En 2023 están programadas tres elecciones presidenciales: en Paraguay (abril), Guatemala (junio) y Argentina (octubre). A estas, previstas en los calendarios constitucionales correspondientes, podría sumarse el adelanto de la cita presidencial en tres países andinos. En efecto, con distintos grados de probabilidad, podrían acudir a las urnas: Perú, como un intento de salida de la precaria gobernabilidad; Ecuador, si prosperan la destitución del presidente y la disolución del Congreso; incluso Venezuela, como nuevo episodio en el tire y afloje entre el régimen y la oposición. La sola consideración de esos escenarios ratifica la turbulencia que atraviesa la política regional.

Participación disminuye

Sean tres o más, las presidenciales se desarrollarán en el ciclo de la pandemia abierto en 2020 y signado por la convergencia de crisis sociopolítica, económica, sanitaria derivadas de la pandemia de coronavirus y que han acentuado el malestar ciudadano con las instituciones y las autoridades.

En el ámbito electoral, esta fase se caracteriza por una participación disminuida, las dificultades del oficialismo para conservar el poder y el buen viento para la oposición, sea tradicional o encarnada por un outsider. Además, estas elecciones se han caracterizado por el auge de una retórica defensiva de valores morales tradicionales y el crecimiento de las redes sociales como cancha de la política y las campañas. Lo más probable es la continuidad de esas tendencias, aunque en cada país se conjuguen de manera distinta y puedan producirse excepciones.

La contienda en Paraguay

El escenario más definido se halla en Paraguay, tierra de uno de los últimos bipartidismos históricos que subsisten en América Latina. En una contienda que se anuncia ajustada, tal como ocurrió hace un lustro, rivalizarán Santiago Peña, del oficialista Partido Colorado, ganador de seis de las siete elecciones desde el retorno a la democracia, y Efraín Alegre, líder de la Concertación, coalición que reúne organizaciones de derecha e izquierda, articulada alrededor del Partido Liberal. Su enfrentamiento se anticipaba desde hace casi un año y se ratificó tras las primarias respectivas. El margen de sorpresa de terceras candidaturas parece reducido. Está en juego la permanencia colorada en el gobierno o su segunda salida del poder en más de tres décadas. 

En una ola poco propicia para los oficialismos, el Partido Colorado tiene bazas por jugar, incluyendo una estructura con alta capacidad de movilización territorial, recursos y lealtad a los colores de la organización. Peña confía en que su pertenencia al ala opositora del partido le permita retener a los insatisfechos con la promesa de la alternancia dentro del mismo espectro. Al frente, Alegre procura canalizar la insatisfacción con el funcionamiento de la democracia y el Estado, agravada por la percepción de una extendida corrupción, con la promesa de la alternancia. Empero, la campaña giró menos alrededor del debate de políticas públicas que de las sanciones de Estados Unidos contra el expresidente y jefe del Partido Colorado Horacio Cartes, así como a otros dirigentes de ese partido, por «corrupción significativa».

Volatilidad en Guatemala

En Guatemala hay menos certezas. En uno de los sistemas políticos más volátiles y fragmentados del mundo: ningún partido ha conseguido reelegirse, ni siquiera regresar al poder. Todos y cada uno de los partidos gobernantes han sido distintos. El deterioro democrático, con cierres para la libertad de expresión y reducción de la independencia judicial, forma el telón de fondo. Las chances del oficialismo parecen exiguas.

Por ahora, despuntan en las encuestas dos mujeres con trayectoria política. Zuri Ríos, hija de un presidente militar, y la ex primera dama Sandra Torres, más progresista. Ellas y los otros aspirantes todavía deben completar la validación de la candidatura. Es una etapa que ha probado no ser un mero formalismo. Así lo ilustró la inhabilitación de Thelma Cabrera, una voz crítica contra el statu quo y próxima a los movimientos indígenas. La valla a su postulación ha desteñido las credenciales de los comicios. Como ha ocurrido invariablemente desde la instauración democrática, todo apunta a una resolución en segunda vuelta.  

Panorama incierto en Argentina

De las tres elecciones, la de Argentina se celebra con el padrón más grande. Pese a ser una de las principales economías regionales, arrastra una inflación y devaluación altas y endémicas. Esto lastra el crecimiento, genera frustración y obliga a continuas y contrapuestas negociaciones con los organismos internacionales y los sectores de trabajadores.

Numerosas incógnitas persisten en la ecuación electoral. Si Paraguay y Guatemala prohíben la reelección, Argentina la autoriza, pero las opciones de Alberto Fernández, si decidiera presentarse, parecen modestas.[*] Esto no significa que el oficialismo esté descartado de la lucha, pues la abigarrada galaxia del peronismo posee la habilidad de promover una candidatura que reivindique el balance gubernamental —si se concretan evoluciones positivas, cada vez más improbables—, como otra que enfatice las críticas —en la situación opuesta—.

La oposición liberal tendrá que conciliar sus propias disputas, cuyo tono se endurece, en tanto que la que surge en las fronteras del sistema político, con un mensaje frontal, aguarda recolectar los frutos del hastío. Todavía reina el suspenso sobre quiénes figurarán en las boletas. De a poco, se destapan los candidatos que deberán pasar por el tamiz de unas primarias con gusto de presidenciales anticipadas por su carácter simultáneo para los partidos y obligatorio para la ciudadanía.       

La política latinoamericana continuará rediseñándose a partir de los resultados de estas presidenciales pero seguirá bajo el tenso signo de la incertidumbre de gobiernos entrantes a los cuales las sociedades les dan créditos de corto plazo y condiciones severas.

Este texto fue publicado originalmente en el portal Latinoamérica21, el 20/4/2023.

[*] N. del editor: El presidente argentino anunció el 21/4/2023 su renuncia a la posibilidad de presentarse a la reelección.

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Salvador Romero Ballivián

Salvador Romero Ballivián

Sociólogo político, investigador y escritor. Director de IDEA Internacional en Paraguay y exvocal del Tribunal Supremo Electoral de Bolivia.

Santiago Basabe: «En el Ecuador no es ventaja estar en un partido»

La democracia está jaqueada por el enfrentamiento entre los poderes, la debilidad del presidente y la presión del crimen organizado. La fragilidad de los partidos políticos y la incertidumbre permanente completan un contexto crítico para el país.

Por: Ruth Hidalgo, Camila Posso 27 Abr, 2023
Lectura: 11 min.
Santiago Basabe
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

El cientista político Santiago Basabe ofrece su mirada sobre el estado de la democracia en el Ecuador. La gobernabilidad atraviesa momentos duros con una Asamblea Nacional enfocada en sacar al presidente Guillermo Lasso y un Ejecutivo con poca capacidad de movimiento en el Legislativo por tener una bancada reducida. Esto sucede en un contexto de penetración del crimen organizado y debilitamiento de los partidos políticos.

Santiago Basabe es profesor titular de Ciencia Política de la Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales (FLACSO-Ecuador), becario Georg Foster de la Fundación Alexander von Humboldt, investigador posdoctoral en el Instituto Instituto Alemán de Estudios Globales y de Área (GIGA). Explora características de las instituciones políticas en América Latina con un enfoque en la relación entre la gobernanza judicial y el desarrollo político, el presidencialismo y la representación legislativa en América Latina. Tiene un doctorado en ciencia política por la Universidad Nacional de San Martín (Buenos Aires, Argentina).

La democracia en el Ecuador

Ruth Hidalgo: El Ecuador recibe constantes críticas a la calidad de su democracia. ¿Considera que esta continúa debilitándose?

Santiago Basabe: Creo que hay un problema anterior y es que la calidad no es un concepto fácil. No lo es, porque se puede observar y juzgar la calidad de la democracia en términos instrumentales. Como la democracia de Schumpeter, por ejemplo, o la de Dahl, que implica cumplir con determinados requisitos: elecciones periódicas, medianamente libres, medianamente competitivas y que no existan grupos de presión que puedan alterarlas.

Si se siguen esos parámetros, en el Ecuador, desde el año 1979 se puede decir que sí se han cumplido, entonces habría calidad democrática. Pero si el concepto de calidad se observa desde otros parámetros más amplios, como los rendimientos de la democracia en términos sociales y económicos, quizás se pueda tener una medición y observación muy distinta. Hay un problema respecto a la conceptualización de la calidad de la democracia que no está resuelto. Está asumido como válido en función de determinadas mediciones como las de Freedom House, Latinobarómetro, LAPOP y demás.

Muestra de esto es el paradigmático caso de Chile. Las mediciones mostraban estos indicadores alcanzados de una aparente democracia de alto impacto y de primer mundo. Sin embargo, el país casi se cae hace un par de años.

Para el caso del Ecuador, si se toman como referentes de estabilidad los diez años del presidente Correa, los cuatro años de Lenin Moreno y los que van del actual presidente, versus los bajones importantes que se dieron en los noventa, con las salidas de los presidentes Bucaram, Mahuad y Gutiérrez, entonces, en teoría se puede decir que ha habido al menos 15 años de estabilidad.

El rol de la estabilidad

Sin embargo, ¿a qué nos referimos o en qué estamos pensando cuando hablamos de estabilidad? Hago referencia a esta discusión conceptual, porque la ciencia política y los politólogos tenemos un problema enorme, que se arrastra de veinte años atrás y es que no pensamos en ideas y en los conceptos, sino en la medición y en la metodología sofisticada. ¿Qué es estabilidad? ¿Estabilidad es sólo que el Gobierno se mantenga los cuatro años?, ¿o implica algo más? Porque si sólo es que se mantenga durante los cuatro años del periodo, el expresidente Correa es paradigmático y ejemplar.

Haciendo esas dos reflexiones iniciales, no creo que las cosas de fondo en los rasgos fundamentales del sistema político ecuatoriano hayan cambiado desde el 79 a la fecha. A veces conviene observar más estos rasgos del sistema político del Ecuador, ya que no ha habido una conformación de élites políticas a partir de las organizaciones político-partidistas. No hay generación de cuadros políticos desde los partidos políticos, no hay una organización de la asociación civil y asociación cívica que haya tenido una presencia importante en la vida política del país. No hay organizaciones políticas a mediano plazo, aunque algo hubo en la década de los ochenta e inicios de los noventa. La discusión de la democracia, no solo en el caso del Ecuador sino en general, puede ser observada también desde este otro tipo de elementos y factores que permiten tener al menos una noción un poco más clara.

Los partidos políticos en el Ecuador

Entonces, si hoy en día es así, ¿cuáles factores están amenazando el fortalecimiento de la democracia en el Ecuador?

Un primer factor son los partidos y todo lo que se genera alrededor de ellos. Además, la cercanía o identidad del electorado, la generación de cuadros políticos. El segundo, que está relacionado con el anterior, es la ausencia de planificación en las políticas públicas. Es un tema de fondo. Aquí no se hacen políticas públicas de forma técnica, teórica; se construyen careciendo de referentes empíricos y de investigación previa.

Así se hace la política pública, desde la Constitución hasta el último de los reglamentos. Esto se puede observar si se toma cualquier sector de la política pública. Se ve esa evolución de la normativa; claramente, es una improvisación en su diseño y múltiples rediseños. En el fondo, viene de esa ausencia de cuadros, de gente técnica y especializada en los temas que tienen que ver con los partidos. Por eso te decía que volvemos hacia allá, falta investigación no solo de las universidades sino de las propias organizaciones político-partidistas.

Proceso de impeachment

En este momento nos encontramos de cara a un proceso de impeachment contra el presidente de la República. ¿Cómo percibe este proceso en cuanto a su sustento jurídico, respeto al debido proceso y sus efectos políticos?

El juicio político es uno de los mecanismos de las formas de gobierno presidenciales para destrabar tensiones políticas medianamente irresolubles. Ese es su objetivo y tiene que ver con la salida del jefe de Estado, con el objetivo de refrescar la correlación de fuerzas para bajar las tensiones que puedan existir. Uno de los problemas que se generan ahora mismo en el caso ecuatoriano, y que no se puede generar en ningún país del mundo que tenga una forma de gobierno presidencial, es que cohabiten un mecanismo de desfogue político, que es el juicio político, y otro mecanismo de desfogue como lo es la llamada muerte cruzada, que es propia de los parlamentarismos.

El parlamentarismo tiene el mismo mecanismo con un nombre diferente al de la muerte cruzada. Consiste en retirar la confianza al primer ministro. Es decir, cuando una coalición legislativa se modifica por el comportamiento del primer ministro, puede dar ese voto de censura y quitarle la confianza al primer ministro para que regrese al Parlamento, y se posesiona a otra persona.

Pero, al coexistir en el Ecuador los dos mecanismos, se produce una suerte de cortocircuito. Esto produce tensiones y un problema constitucional, porque conviven las dos opciones alrededor de una forma de gobierno presidencial.

Otro tema crucial es el hecho de que en la Asamblea hay menos del 10% de gente capacitada. Los datos hablan de que los buenos legisladores no superan ese porcentaje. Esto se refleja en cómo se legisla y se lleva adelante el juicio político, no solo en términos procedimentales, sino en términos políticos.

Descontento ciudadano

Hay descontento respecto a la Asamblea Nacional y las organizaciones políticas. ¿Qué responsabilidades que encuentra a este respecto?

Son problemas multicausales. Las explicaciones vienen desde la política, pero también desde la sociedad y de una serie de variables del entorno que no se pueden controlar.

Las ciencias sociales identifican algunos factores que pueden incidir. Uno está en el diseño institucional, el Código de la Democracia. En el Ecuador se puede ser candidato sin ser afiliado a un partido político. Que el candidato pueda ser de afuera del partido, incentiva a desafiliarse.

Entonces, ¿cómo puedes hacer organizaciones políticas? No tiene ningún sentido. Lo que debería pasar es que para ser candidato debas tener dos o tres años de afiliación previa. Pero a los partidos no les conviene y a los candidatos tampoco. Porque si yo llego a una designación de carácter pluripersonal sin ser afiliado, me es fácil, una vez posesionado, separarme de la bancada o del partido y declararme concejal o legislador independiente.

Entonces, yo consigo mis votos, pago por ser candidato —esto sucede en la gran mayoría de los casos en el Ecuador—, y el Código de la Democracia no establece ningún tipo de sanción para esto. Si existiera una regulación que estableciera que, en caso de separación de la bancada con la cual se llegó, se pierde inmediatamente el cargo y lo asume el suplente, ahí lo pensarían antes de declararse independientes o antes de comprar la candidatura.

Es preciso elevar el umbral electoral. Actualmente, existen partidos políticos sin representación legislativa hace 15 años y aun así tienen registro nacional. Lo ideal sería que si un partido no tiene representación en dos períodos, se le quite ese registro. Estas reformas simples al Código de la Democracia mejorarían mucho el ejercicio de la política.

¿Desconfianza hacia la democracia?

¿Qué reflexión le daría a la gente insatisfecha con el sistema político?

Lo primero es que esto no debe implicar una desconfianza hacia la democracia. Eso es lo primero y es un tema que hay que posicionar. Yo no creo que haya otras formas de régimen democrático, porque lo opuesto a la democracia son los autoritarismos. El que la gente no esté de acuerdo con cómo se hace la política en su país es una cosa. Pero hay que tener cuidado en pensar que la democracia está erosionada, porque entonces se vende la idea de volver a los regímenes autoritarios.

En Ecuador hay mucha gente que lo dice así, pero preguntemos a los chilenos. ¿Cómo vivieron 17 años? O preguntemos a los cubanos, a la gente de Corea del Norte, Nicaragua o, en alguna medida, los venezolanos. Puede ser que tengamos un problema de actores y de instituciones —de los dos, en el caso ecuatoriano, desde luego—, pero de ahí a minimizar el papel esencial que cumple el régimen democrático hay una distancia enorme.

Aspectos positivos

¿Qué le queda al modelo democrático como salida a esta situación?

No todo lo que ha pasado en los más de cuarenta años de régimen democrático en el Ecuador ha sido negativo.

La presencia indígena en la política de hoy no existía en 1979. La movilización del noventa en el gobierno de Borja visibilizó al movimiento indígena. Un grupo étnico que había tenido derechos salió a reclamarlos con justa razón porque vivían en democracia. Si no estuviéramos en democracia no pasaría eso, por lo que sí hay un legado de cosas positivas.

La primera legislatura del Ecuador, de 1979, tuvo cero mujeres legisladoras. Hoy en día tenemos alrededor del 40 %. Eso es parte del régimen democrático, de los espacios que se abren para la confrontación de ideas, para la presentación de demandas, para la consecución de derechos. Eso es parte del régimen democrático. En dictadura no se puedes conseguir eso, no se puede hacer.

Entonces, hay unas reformas institucionales que hay que plantear. También la asociación ciudadana, que me parece la más efectiva y que no implica ocupar cargos de poder. El país tiene un problema triste y es que la gente que se organiza alrededor de la asociación cívica, desafortunadamente, pronto pierde el sendero. Termina siendo candidata y ahí se acaba todo. Tú tienes que hacer la asociación cívica y quedarte en ese espacio, que es el tuyo, y generar presión desde ahí. Porque si tienes una mira política, debes ir al partido.

Eso es lo que falta en el Ecuador. Es fundamental fortalecer la parte política e institucional, que desde luego es muy importante, pero este empujón inicial debería venir precisamente de la participación ciudadana, en términos espontáneos.

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Ruth Hidalgo

Ruth Hidalgo

Licenciada en ciencias jurídicas. Doctora en jurisprudencia. Decana de ciencias políticas y relaciones internacionales de la Universidad de las Américas (Ecuador). Directora ejecutiva de la ONG Participación Ciudadana.

Camila Posso

Camila Posso

Licenciada en Ciencias Políticas.

Segunda etapa del camino constitucional chileno. ¿Hacia una mayor estabilidad política?

El proceso constituyente ha tenido un cambio radical respecto de su anterior experiencia. Ahora la regla es el acuerdo entre actores diversos. Sin embargo, la creciente apatía ciudadana se ha convertido en el principal riesgo.

Por: Jaime Abedrapo 25 Abr, 2023
Lectura: 6 min.
Camino constitucional chileno | Shutterstock Rodrigo Merino Rojo
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

El Comité de Expertos del proceso constitucional chileno entregó un primer avance sobre los temas en los que se han alcanzado acuerdos. Sin embargo, el contexto social es de una creciente indiferencia de la ciudadanía.

El documento presentado cuenta con catorce capítulos, debatidos y elaborados en cuatro subcomisiones: Sistema Político, Reforma Constitucional y Forma de Estado; Función Jurisdiccional y Órganos Autónomos; Principios, Derechos Civiles y Políticos; y Derechos Económicos, Sociales, Culturales y Ambientales.

Los expertos y la Constitución

Las subcomisiones trabajaron de enero a abril de 2023. Está compuesta por 24 personas elegidas por la Cámara de Diputados y el Senado. El avance entregado servirá de anteproyecto para el Consejo Constitucional, órgano que será electo el próximo 7 de mayo. La elección será por medio de voto obligatorio, pero con una ciudadanía desinformada y desinteresada por el proceso.

Desde el Gobierno de Gabriel Boric no se ha percibido entusiasmo ante los comicios para aprobar la nueva Constitución. Esto es muy diferente de su injerencia en el proceso anterior. Ello se explicaría, en parte, porque la agenda está principalmente concentrada en asuntos de seguridad pública y cambio de gabinete. Lo último denota las complejidades políticas por las que atraviesa el Ejecutivo, situación que explicaría el fortalecimiento del «alma» socialdemócrata dentro del Ejecutivo, lo que actúa en detrimento del eje Frente Amplio-Partido Comunista que inició el período presidencial un año atrás.

Conteo del plebiscito constitucional chileno de 2022. Foto: Shutterstock

La designación del ex senador socialista Álvaro Elizalde en la Secretaría General de la Presidencia significa el retorno de quienes fueron protagonistas durante los tiempos de la Concertación. El objetivo sería mejorar la capacidad de entendimiento y acuerdos en el Congreso Nacional en la agenda antidelincuencia, reforma tributaria, reforma a la salud y pensiones, objetivos principales del Ejecutivo.

El presidente Boric y algunos de sus asesores cercanos han transmitido la necesidad de alcanzar un acuerdo nacional en materia constitucional. Busca proyectar su figura como articuladora de un «nuevo Chile» y mostrar un logro relevante en su administración. Sin embargo, algunos partidos de su propia coalición no comparten esta actitud. En lo específico, el Partido Comunista está más interesado en cuestionar el actual proceso por estar lejos de ser refundacional y de la oportunidad de cambiar el modelo de desarrollo y la estructura social del país.

Riesgos del proceso constitucional

Las certezas y consensos que irradia este nuevo proceso constitucional, paradójicamente, no han despertado interés público. En efecto, hasta el momento la discusión ha sido solo técnica y con pocas discrepancias expuestas en los medios de comunicación social. Por otro lado, el trámite cuenta con una institucionalidad que hace prever una Constitución que representará a las mayorías políticas. Existe un acuerdo en materia de principios constitucionales que no pueden ser transgredidos por el constituyente, además de una comisión de admisibilidad y el referido comité de expertos.

Un dato relevante es el proceso para elegir a los consejeros constitucionales, en el que no hay espacio para listas competitivas de ciudadanos independientes, como en la anterior experiencia constituyente con la «Lista del Pueblo», entre otras. En esta ocasión, los partidos han asumido la responsabilidad de la elección de los candidatos al Consejo Constitucional.

Senado de Chile, donde sesiona la Comisión de Expertos. Foto: Senado CL.

La comisión de expertos ha abordado las bases de la institucionalidad desde la perspectiva más técnica posible, cuestión que ha favorecido la generación de acuerdos. Sin embargo, un matiz: recientemente, los comisionados presentaron unas 900 indicaciones al proyecto. Caben distintas interpretaciones. Por un lado, los miembros del órgano asesor estarían interesados en que la próxima elección de consejeros constitucionales (7 de mayo) no esté condicionada por el acuerdo primario exhibido. Es decir, que se dé una prematura aprobación o rechazo de lo avanzado en el órgano técnico.

Por otro lado, la presentación de los acuerdos alcanzados en el plenario del órgano ha generado ciertas divergencias entre actores políticos en la habilitación que dejaría la Constitución para futuros regímenes de salud, previsión social, pensiones y otros. Algunas de estas materias han sido discutidas en el Congreso Nacional por largo tiempo sin que se hayan alcanzado acuerdos en las reformas.

Sin controversias irreconciliables

Cabe advertir que aún existen temas en los cuales no hay acuerdo entre los especialistas que participan en el órgano asesor, tales como la política de paridad que resguardará la nueva carta fundamental. Pero podemos afirmar que se ha avanzado de manera rápida y sin controversias irreconciliables en materia de orden constitucional. Sin embargo, las indicaciones y algunos asuntos quedarán pendientes para que los consejeros electos sean quienes los aborden y presenten el texto definitivo ante la ciudadanía. Esta deberá pronunciarse en el mes de diciembre por aprobar o rechazar la nueva Constitución.

Chile se encamina a conseguir un acuerdo constitucional entre las distintas sensibilidades políticas representadas en el Congreso Nacional. La duda está en los niveles de participación ciudadana que tendrá el proceso. Si bien el voto es obligatorio, la opinión pública está en conocimiento de que la sanción por no asumir la responsabilidad en el plebiscito de salida es muy improbable. Esto habilita la posibilidad de una baja participación que sirva de argumento refractario al proceso, de parte de sectores políticos que están en los extremos del sistema político. A esta hipótesis se le debe sumar el populismo cada vez más galopante. Es decir, actores desinstitucionalizados que pueden representar la apatía ciudadana y transformarla en una opinión desfavorable a la futura Constitución nacida entre acuerdos e instituciones que representan la democracia liberal republicana en medio de un proceso de anomia de la población.

Hace rato que en Chile se exhibe un malestar y desinterés con el sistema político. Por tanto, urge el objetivo de dar estabilidad al país y superar la discusión constitucional, que los demócratas convoquen a la participación en las elecciones que vienen y den relevancia al papel de una Constitución pactada por las principales fuerzas políticas institucionalistas del país.

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Jaime Abedrapo

Jaime Abedrapo

Director del Centro de Derecho Público y Sociedad (PUBLICUSS) de la Facultad de Derecho y Ciencias Sociales, Universidad San Sebastián, Chile. Doctor en Derecho Internacional y Relaciones Internacionales (Instituto Universitario Ortega y Gasset, España). Cientista político. Periodista

Unasur: segundas partes nunca fueron buenas

El «soft power» intelectual legitimó a la Unasur adjudicándole un éxito que nunca se materializó. No ha sido mucho más que un relato bien elaborado, pero eso es, justamente, lo que hoy le permite resurgir y convertirse en una potencial amenaza para la libertad.

Por: Fernando Pedrosa 24 Abr, 2023
Lectura: 7 min.
Sede Unasur, Ecuador | Foto: Montserrat Boix/Wikicommons
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Hay una máxima muy difundida entre periodistas y entrenadores deportivos: «equipo que gana, no se toca». La idea detrás de la frase es muy básica: ¿para qué modificar un mismo grupo de jugadores o una táctica si con ella se han obtenido buenos resultados? La idea suena tan razonable que el mundo de la política también quiere aplicarla.

En su tercera experiencia presidencial, Lula ha adoptado este lema como un mantra. Y, por lo menos en lo referido a la política exterior, ha comenzado a reconstruir el camino de sus anteriores mandatos. Si bien el cuerpo técnico ha cambiado (porque ya no está Marco Aurelio García), la estrategia sigue siendo la misma que impulsó el excanciller Celso Amorim. Los resultados de esa continuidad no tardaron en verse, y ahí está Brasil reviviendo su posicionamiento geopolítico en torno al bloque conocido como BRICS, que integra junto a Rusia, India, China y Sudáfrica.

¿Nueva estrategia?

Lo llamativo de la estrategia brasileña es que vuelve a confirmar jugadores que no trajeron muy buenos resultados en la temporada anterior. De hecho, Lula ha designado a Dilma Rousseff al mando del Nuevo Banco de Desarrollo de los BRICS, con sede en Shanghái, China, a donde el líder del Partido de los Trabajadores viajó presuroso antes de cumplir sus 100 días como primer mandatario.

Lula repite el esquema de juego. Por lo pronto, el legado de autoritarismo que la izquierda del siglo XXI regó en América Latina no parece motivo suficiente para que el político brasileño ofrezca algún tipo de autocrítica al respecto. El mensaje es claro: si Lula no cambia, es porque evalúa que su estrategia pasada no salió tan mal. Y en esto, posiblemente, no se equivoque, ya que aquellos fueron los años dorados de su liderazgo y prestigio regional.

La nueva temporada de Unasur

Mientras refuerza los vínculos con China, y en el contexto de las desafortunadas declaraciones sobre Rusia y la guerra con Ucrania, Lula recuperó otra pieza del viejo equipo con el que gestionó su política exterior entre 2003 y 2010: la Unión de Naciones Suramericanas, mejor conocida por sus siglas Unasur.

Esta organización tuvo un rol clave en la política petista (PT) de entonces, que se puede graficar en la metáfora del «bombero pirómano». Es decir, mientras alentaba y protegía a Hugo Chávez, Rafael Correa y Evo Morales, se presentaba a nivel global como quien podía contenerlos en las líneas rojas que preocupaban a las grandes ligas internacionales. Para Estados Unidos eso fue suficiente en una región que hace tiempo no aparece en los primeros puestos de su interés geopolítico. En cambio, para los ciudadanos latinoamericanos que sufrieron el esplendor de los líderes bolivarianos, los resultados fueron desastrosos en el deterioro democrático, la calidad de vida y la vigencia de los derechos humanos.

[Lee también: La tendencia global hacia la autocracia]

A pesar de esto, uno de los puntos fuertes que legitimó la existencia de la Unasur fue la batería de conferencias, artículos y libros elaborados por especialistas, internacionalistas y demás académicos. El soft power intelectual legitimó a la Unasur adjudicándole un éxito que nunca se materializó ni se observó en la realidad. Esto no es de extrañar, ya que la izquierda autoritaria ha mostrado más habilidad en mejorar la calidad de vida de sus intelectuales y organizaciones de expertos que en mejorar la del resto de la población.

Unasur: ¿éxito o fracaso?

La vuelta de la Unasur fue recibida con algarabía por los viejos accionistas que continuaban integrándola: Bolivia, Guyana, Surinam y Venezuela. Pero, además, fue aclamada por los nuevos líderes de la izquierda regional: Gustavo Petro y Gabriel Boric. También por el peronista Alberto Fernández, quien además ve con interés la oportunidad laboral que se abre en la secretaría general, reservada para un expresidente, ya que a fines de 2023 perderá su actual trabajo.

A diferencia de otros espacios latinoamericanos, la Unasur no pretende funcionar como un organismo de integración regional clásico, sino que privilegia la cooperación política, donde las coincidencias ideológicas cumplen un rol clave. La Unasur es parte central de una estrategia que se sostiene en un entramado de redes de organizaciones internacionales y trasnacionales que toman la forma de constantes reuniones, encuentros y cumbres.

[Lee también: Cumbre Iberoamericana: ¿agendas en discordia?]

Estos eventos son de diferentes niveles: gubernamentales y no gubernamentales, presidenciales, ministeriales, de expresidentes, partidarios, de especialistas, ideológicos, bilaterales o multilaterales. Desde la Unesco hasta el Foro de San Pablo, pasando por la Celac o las asambleas de Clacso. De hecho, el anuncio de la vuelta de Argentina a la Unasur se realizó en el marco de una reunión del Grupo de Puebla y del Consejo Latinoamericano de Justicia y Democracia.

Estos espacios colectivos —y sus reuniones permanentes— aportan a la difusión de un activo nacionalismo patriagrandista, muy afecto al autoritarismo iliberal latinoamericano. Además, muestra a los líderes en permanente actividad y ayuda a consolidar sus discursos y proyectos nacionales. Sobre todo, permite mantener bajo control, incluso aislar, a quienes en esos niveles no integran el colectivo de la izquierda populista o se atreven a impugnarlo.

El papel de la Unasur 2.0

La Unasur adquiere un lugar importante entre las redes trasnacionales de cooperación por otros dos motivos poco resaltados hasta el momento. Primero, porque tiene un pasado de intervención directa en los asuntos nacionales para socorrer a sus integrantes en problemas. Esto se vio en la legitimación de las fraudulentas elecciones venezolanas de 2013, la amplificación de crisis menores en Ecuador para beneficiar al proyecto autoritario de Rafael Correa, la participación en la disputa del Gobierno de Santa Cruz de la Sierra con Evo Morales, o en el conflicto de Colombia con las FARC, entre otros.

En segundo lugar, porque es el primero de los espacios internacionales latinoamericanos que realza la cuestión de la defensa y la seguridad regional a través de su Consejo de Defensa Sudamericano. Ninguna otra organización ha puesto al mismo tiempo énfasis en la condición ideológica de sus presidentes y en la coordinación de las fuerzas armadas que ellos dirigen.

[Lee también: Lula por la cuerda floja entre Estados Unidos y China]

Lula mantiene la formación de su equipo y las estrategias implementadas a partir de 2003, pero el mundo de hoy cambió radicalmente respecto al de inicios del siglo XXI. La posibilidad de abrirle las puertas de la Unasur —como ya pasó con la Celac— a China y a Rusia los habilitará a jugar en un campo hasta ahora vedado. Así, podrían intervenir en la política nacional de los países sudamericanos con inédita legitimidad.

A pesar de tanto entusiasmo construido artificialmente, la Unasur dejó de existir sin pena ni gloria cuando un par de países que la integraban decidieron suspender su financiamiento. Finalmente, no había mucho más que un relato bien elaborado, pero eso es, justamente, lo que hoy le permite resurgir y convertirse en una potencial amenaza para la libertad de la región. La Unasur es un gigante con pies de barro.

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Fernando Pedrosa

Fernando Pedrosa

Historiador por la Universidad de Buenos Aires. Máster en Estudios Latinoamericanos. Doctor en Procesos Políticos Contemporáneos por la Universidad de Salamanca. Profesor e investigador de la Facultad de Ciencias Sociales de la Universidad de Buenos Aires.

Daniel Innerarity: «El futuro no puede ser el basurero del presente»

La convivencia democrática está amenazada por la falta de confianza, el oportunismo de políticos y el desplazamiento de los centros de decisión hacia lugares no controlables. Se requieren ciudadanos informados de los asuntos públicos y de un liderazgo firme y cordial.

Por: Gabriel Pastor 20 Abr, 2023
Lectura: 12 min.
Daniel Innerarity - Fuente: Europa Press
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

El filósofo Daniel Innerarity pone en la mira a los ciudadanos mejor informados de los asuntos públicos. También a quienes piden más transparencia en la toma de decisiones. Lo invitamos a reflexionar sobre la democracia.

Innerarity es doctor en filosofía, catedrático de filosofía política y social. Se desempeña como investigador en la Universidad del País Vasco y es director del Instituto de Gobernanza Democrática. Es titular de la Cátedra de Inteligencia Artificial y Democracia del Instituto Universitario Europeo en Florencia.

Colabora habitualmente en El País, El Correo y La Vanguardia. En 2004 fue incluido en la lista de los 25 grandes pensadores del mundo por la revista francesa Le Nouvel Observateur.

¿Cuáles son los aspectos de la democracia que más le preocupan?  

La sociedad ha ido evolucionando con el paso del tiempo, y las formas políticas, también. Si partimos de la edad contemporánea podemos decir que en la institución del Parlamento (o la democracia representativa) hay una ficción que pudo funcionar en ciertos momentos: la pretensión de que la deliberación parlamentaria en el seno del Estado nacional podía acompañar y modular la evolución de la sociedad. Actualmente, la aceleración de la historia, de la evolución de la tecnología y la creciente interdependencia hace que esa ficción sea ilusoria. Mi teoría de la democracia compleja parte del reto que para la democracia supone este desfase entre la realidad, los conceptos con los que tratamos de entenderla y nuestros instrumentos para gobernarla.

Requerimientos democráticos

¿Cuáles son los requerimientos democráticos?

Si queremos tener una democracia robusta, estamos obligados a equilibrar una diversidad de factores (participación, primacía del derecho, división de poderes…) e impedir que uno de ellos se imponga sobre el resto. Democracia es, fundamentalmente, aseguramiento del pluralismo, también del pluralismo de instituciones que limitan el ejercicio del poder.

El populismo puede rastrearse hasta en la democracia ateniense. ¿Cuáles son los aspectos nuevos?

Yo señalaría dos: el hecho de que haya un público que sobrevalora su capacidad de comprensión de los fenómenos políticos y la creciente desintermediación de la sociedad. Debida, entre otras cosas, a las redes sociales y a la desconfianza respecto de las instituciones que se encargaban de establecer esa mediación (partidos, Iglesias, sindicatos, medios de comunicación).

El liberalismo político y económico que cree en el Estado de derecho, la libertad individual, los valores en torno a los derechos humanos y en el libre mercado, ¿está también en cuestión?

Lo que podríamos llamar la cultura política liberal, que echamos en falta cuando hablamos, por el contrario, de democracias iliberales, es una adquisición colectiva exitosa a la que le auguro, pese a todo, una larga vida. La socialdemocracia o el republicanismo, a mi juicio más potentes en sus propuestas de intervención en la sociedad y en su concepción de que la libertad, más que como ausencia de impedimentos, ha de ser entendida como ausencia de dominación de unos sobre otros.

Rol del Estado

¿Y el papel del Estado?

El Estado sigue teniendo un protagonismo como lugar de la construcción de la soberanía popular, pero requiere ser pensado sin oponerlo al mercado e inserto en comunidades globales que limitan su soberanía y le adjudican responsabilidades más allá de su espacio inmediato de acción.

En su libro Una teoría de la democracia compleja. Gobernar en el siglo XXI, habla de la digitalización, la robotización y la inteligencia artificial como factores que afectan a la democracia. ¿Cuál es su preocupación esencial?

Es el tema del que me ocupo actualmente. Tenemos que estudiar bien el impacto que estas tecnologías ejercen sobre la política y el modo de conseguir que mejoren la calidad de vida democrática. Todo comienza por una reflexión acerca de los cambios que están generando y que nos van a obligar, de entrada, a toda una renovación conceptual. Y, en el aspecto práctico, veo que la gobernanza algorítmica es de una gran utilidad para ciertas partes del proceso político y muy inconveniente en otras.

El establecimiento de los fines a cuyo servicio queremos poner la tecnología no es algo que pueda ser decidido por la tecnología misma. Si la democracia va a sobrevivir a la inteligencia artificial es, sobre todo, porque se trata de dos tipos de inteligencia y decisión. La inteligencia artificial es muy apropiada para decidir cuando hay muchos datos y los objetivos están claros, mientras que la decisión humana es insuperable en contextos de ambigüedad e incertidumbre.

Rol de la política

¿Qué puede hacer la política?

La gran pregunta que nos deberíamos hacer es para qué están los políticos y para qué los necesitamos. Si recorremos todo nuestro sistema político, desde la gestión administrativa hasta el nivel de los representantes en la cúspide, constatamos una mayor incertidumbre en cuanto a las decisiones que se deben adoptar. La administración es un espacio donde el riesgo está muy reducido gracias a diversos protocolos y rutinas.

En el plano más propiamente político es donde se toman las decisiones que, desde el respeto a los procedimientos administrativos, por supuesto, se refieren a asuntos para los que hay menos evidencias y más contingencia, donde se plantean las grandes orientaciones políticas. La confrontación ideológica es allí mayor precisamente porque las decisiones no están fijadas por una objetividad y unos saberes expertos indiscutibles. Allí están, por cierto, quienes tienen mayor legitimidad democrática porque elegimos a nuestros representantes políticos y no a nuestros funcionarios.

¿Qué papel juegan los partidos políticos?

Una cosa es que los partidos deban renovarse profundamente y otra que la participación ciudadana pueda asegurarse sin organizaciones del estilo de los partidos. Los partidos son esenciales para clarificar las opciones que están a disposición de los electores; sirven para formar al personal político, seleccionar a los candidatos, gestionar la circulación de la clase política por las instituciones y controlar a los electos manteniéndolos vinculados a las promesas hechas a los electores.

Liderazgos

¿Cómo debería ser un liderazgo del siglo XXI?  

Llevo tiempo defendiendo que un liderazgo cordial es posible y debería recoger algunas propiedades que requieren más inteligencia y sofisticación que la rudeza del choque con el adversario. De entrada, aceptar que el mundo es complejo requiere más coraje que simular la fortaleza de quien se sabe en el lado correcto de la historia, previamente simplificada entre buenos y malos. Nuestros representantes deberían reconocer la incertidumbre en la que se encuentran, no mostrar una seguridad de la que carecen y estar dispuestos a admitir los errores. Si no lo hacen es porque piensan que los representados no lo aceptaríamos.

De ahí que estén aterrorizados por los propios errores en los que otros puedan apoyarse para obtener ventajas en términos de competencia. Pero los errores nos hacen amables, como decía Goethe. La capacidad de equivocarse con elegancia —y de admitirlo cuando sea necesario— es una parte fundamental del éxito en política o en cualquier otra actividad.

¿Hay algún liderazgo político inspirador en ese sentido?

Echo de menos el liderazgo cordial de una Jacinda Ardern, que fue primera ministra de Nueva Zelanda y dimitió agotada de tanta hostilidad.

Derechos y deberes

¿Hay un desfase en la vida política actual entre la agenda de derechos y la de los deberes?  

El republicanismo lo ha resuelto muy bien al insistir en la interrelación de nuestras libertades con las de los demás. En un mundo en el que hay una creciente presencia de bienes públicos (el clima, la estabilidad financiera, la paz…), la idea de derechos individuales que habría que proteger de interferencias exteriores es menos fecunda que la de libertades comunes. Quien en nombre de su derecho a hacer lo que le dé la gana no interioriza el impacto que sus acciones puedan tener sobre otros termina contribuyendo a construir una sociedad en la que muchos —también él mismo— verán reducidas las posibilidades de hacer lo que les dé la gana. Al cuidar lo común no estamos rindiéndonos a una estructura neutra o ajena, sino a algo de lo que se nutre nuestra libertad personal.

Con el aumento de la participación de los ciudadanos en los asuntos públicos, ¿no se corre el riesgo de más inoperancia de la política?

Mi concepto de participación es mucho más amplio y menos maximalista: no se trata de que todos tomemos todas las decisiones, sino de que se cumpla el conjunto de exigencias (información, legitimidad, trasparencia…) que nos permiten considerar esas decisiones como de algún modo propias. Si queremos producir esas transformaciones no tenemos otro procedimiento que entender la política como un modo de orientar el autogobierno del pueblo. Esto no puede conseguirse a base de órdenes, pero que sería muy irresponsable abandonar a una supuesta espontaneidad social.

Foto: EFE.

Pensar el futuro

La conversación pública está demasiado dominada por el presente y se evitan las medidas que se deben tomar pensando en el futuro. Un ejemplo, la reforma de la seguridad social. ¿Es un fenómeno novedoso?

Nunca había habido sociedades con tanta capacidad de condicionar el futuro de las próximas (e incluso lejanas) sociedades y eso plantea problemas de legitimidad. El futuro no puede ser el basurero del presente, donde depositamos irresponsablemente problemas que no queremos resolver ahora, ni podemos vivir a costa de las generaciones futuras.

¿Es realmente dramática la deriva democrática? ¿Está en riesgo la existencia de la democracia?

En mi último libro (La libertad democrática) llevo la contraria a quienes insisten en la fragilidad de la democracia. Es cierto que es una construcción política que experimenta avances y retrocesos, que no tiene asegurada su inmortalidad. Se mantiene en pie sobre una cultura política que requiere cuidado, protección y virtudes cívicas. Con esto no quiero decir que las democracias no empeoran ya como consecuencia de un golpe de Estado, sino de una forma más sutil y, tal vez por ello, más inquietante.

Convivencia democrática

¿Puede ahondar en esa novedad peligrosa?

Las amenazas a nuestra convivencia democrática no son esos quiebres brutales sino otras formas inéditas de degradación. Por muy preocupantes que sean los desafíos que plantea la extrema derecha, no estamos ante una segunda oleada de prefascismo; nuestras sociedades están más desarrolladas y son más interdependientes. Más que complots contra la democracia, lo que hay es debilidad política, falta de confianza y negativismo de los electores, oportunismo de los agentes políticos o desplazamiento de los centros de decisión hacia lugares no controlables democráticamente.

Su función como filósofo es problematizar un tema y ayudar a visualizar su importancia. Igual le pregunto: ¿cómo empezaría a salvar a la democracia?

Si la debilidad de la democracia se debe más a la cultura política dominante que a la amenaza que representan los sujetos particulares, su fortaleza aumentará en la medida en que construyamos instituciones que no estén demasiado condicionadas por quienes eventualmente las dirijan. La democracia es resistente justo en la medida en que no depende demasiado de las personas que ocupen el poder, sino fundamentalmente de que el sistema institucional limite a esos gobernantes. Frente a la tendencia a confundir la calidad de la democracia con la calidad de sus dirigentes propongo que dirijamos la mirada y el esfuerzo en otra dirección.

Mejorar las instituciones

¿Cuál sería esa otra dirección?

Se gana mucho más mejorando las instituciones que mejorando a las personas que las dirigen. Las sociedades están bien gobernadas cuando lo están por instituciones en las que se sintetiza una inteligencia colectiva y no cuando tienen a la cabeza personas especialmente dotadas. Podríamos prescindir de las personas inteligentes, pero no de los sistemas inteligentes. Una sociedad está bien gobernada cuando resiste el paso de malos gobernantes.

¿Hay que pensar más en las instituciones que en los propios gobernantes?

Estos doscientos años de democracia han configurado una constelación institucional en la que un conjunto de experiencias ha cristalizado en estructuras, procesos y reglas. Estos proporcionan a la democracia un alto grado de inteligencia sistémica, que no está en las personas sino en sus componentes. De alguna manera esto hace al régimen democrático menos dependiente de quienes lo dirigen, resistente frente a los fallos y debilidades de los actores individuales. Por eso la democracia tiene que ser pensada como algo que funciona con el votante y el político medio. Únicamente sobrevive si la propia inteligencia del sistema compensa la mediocridad de los actores y la ineptitud e incluso maldad de muchos de sus dirigentes.

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Gabriel Pastor

Gabriel Pastor

Miembro del Consejo de Redacción de Diálogo Político. Investigador y analista en el think tank CERES. Profesor de periodismo en la Universidad de Montevideo.

Inteligencia Artificial en Latinoamérica

Este libro busca visualizar el estado actual de la inteligencia artificial y su incidencia en temas productivos, de desarrollo y convivencia.

Por: Redacción 19 Abr, 2023
Lectura: 2 min.
Libro. Inteligencia artificial en Latinoamérica
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.
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Incluir a la inteligencia artificial en nuestro discurso es una tarea que logramos enfrentar con la misma pasión que nos ha permitido desarrollar tantos temas de vanguardia, al menos desde 1955.

Abordar el tema de la inteligencia artificial ha supuesto para nosotros el completo deber de aglomerar a excelsos investigadores que han estudiado por décadas el desarrollo de las tecnologías digitales. Todos cuentan con una vasta experiencia en investigación y elaboración de estudios vinculados a las tecnologías digitales. Pueden presumir de una profunda experiencia en el desarrollo de proyectos de digitalización y uso de tecnologías.

La idea esencial de esta publicación ha sido visualizar el estado actual de los diversos esfuerzos en esta área de la tecnología. La cual, transversalmente, tiene cada vez mayor incidencia en temas productivos y de consumo. De igual forma las oportunidades de desarrollo social y todo un nuevo modelo de convivencia humana y empresarial.

Inteligencia Artificial

En sus manos, el lector tiene el esfuerzo de haber podido identificar los lineamientos y las acciones tomadas por organismos internacionales multilaterales. ¿El objetivo? Determinar el estado actual de América Latina en el desarrollo de inteligencia artificial; de identificar las oportunidades de desarrollo en la región; y de determinar los casos de éxito en proyectos y políticas públicas actualmente en vigencia.

La innovación tecnológica ha sido un eje transversal en el desarrollo Humano desde el inicio de nuestros tiempos. Su análisis es esencial para un mejor entendimiento y su respectiva divulgación es crucial para el apropiado uso de las sociedades que anhelan la vanguardia.

Editor: Winfried Weck.

Publica: KAS Adela.

Autores: Luis Adrián Salazar Solís, Lina Zuluaga Ocampo, Yolanda Martínez Mancilla, Ana Madrigal Castro.

Fecha: 2020.

ISBN: 978-9962-732-16-7.

Redacción

Redacción

Plataforma para el diálogo democrático entre los influenciadores políticos sobre América Latina. Ventana de difusión de la Fundación Konrad Adenauer en América Latina.

Cambio Climático y Biodiversidad en América Latina. Once miradas desde la política y la economía

Ensayos desde América Latina plantean en una mirada crítica sobre cambio climático desde la economía, el derecho y el análisis institucional.

Por: Redacción 19 Abr, 2023
Lectura: 3 min.
Cambio Climático y Biodiversidad en América Latina. Once miradas
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.
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Frente al activismo y la incidencia política, los esfuerzos desde la academia y diferentes profesiones para entender estos retos y problemas ambientales tienen también un rol y espacio para cumplir una función dinamizadora de procesos y decisiones adecuadas. Comprender los fenómenos del cambio climático y de la pérdida de biodiversidad desde sus raíces y aportar desde el derecho y la economía con ideas y propuestas, contribuye igualmente a una tarea compleja y a veces a una misión que podría parecer a estas alturas imposible: mejorar las condiciones ambientales del planeta en general.

La propuesta de un conjunto de ensayos y reflexiones que, justamente, desde América Latina plantean una mirada crítica desde la economía, el derecho y el análisis institucional no podría ser más oportuna, tanto por su actualidad como por la necesidad de contar con perspectivas propias, regionales, que sumen a los esfuerzos internacionales para cambiar el curso de lo que podíamos llamar la “historia ambiental del planeta”.

Cambio climático

Vivimos en un entorno signado por una creciente resistencia desde las esferas de poder a la evidencia científica y por las dificultades que el mundo de la información ofrece a los múltiples actores y ciudadanos impidiendo que reflexiones verdaderamente críticas pero debidamente sustentadas de otras menos prolijas y mucho menos sustentadas en sus fundamentos, prosperen y permitan construir consensos para adoptar soluciones conjuntas. Sin embargo, poco a poco la humanidad advierte que no hay tiempo que perder y exige mayor conciencia y acciones concretas para detener el proceso involutivo al que hemos llegado “sin saber queriendo”.

Por ello, este libro y el conjunto de autores y propuestas, constituyen un respiro y una brisa de aire fresco. Con una mirada realista pero a la vez positiva y entusiasta en cuanto a lo que se puede lograr aplicando la sensatez, el sentido común e ideas y planteamientos apropiados, sustentados en disciplinas como el derecho y la economía, los autores explican lo que hoy denominamos un “derecho y economía del cambio climático y la biodiversidad” logrando encapsular parte de una perspectiva necesariamente multidisciplinaria que exige la complejidad de los problemas del cambio climático y la pérdida de la biodiversidad.

Se trata, en ese sentido, de contar con un aporte propio desde América Latina hacia el mundo en la reflexión y debate hacia una nueva economía que ponga a la naturaleza y a la humanidad en el centro de las estrategias de producción y comercio de bienes y servicios. Nunca más oportuno y necesario este trabajo de síntesis y organización de la reflexión.

Autores: Ana María Hernández, Marcia Tambutti, Jeannette Sánchez, Manuel Ruiz Muller, Grethel Aguilar, María Pía Carazo, Daniel Klein, Henrique Pacini, Samín Vargas, Jaime Echeverría, Joseph Henry Vogel, Klaus Angerer, Nicolás Pauchard, Rodrigo Oyanedel.

Edita: KAS EKLA.

Fecha: Marzo, 2022.

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Redacción

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Plataforma para el diálogo democrático entre los influenciadores políticos sobre América Latina. Ventana de difusión de la Fundación Konrad Adenauer en América Latina.

Economía Social de Mercado: fundamentos e implementación

Un extenso recorrido por los orígenes teóricos de la Economía Social de Mercado, ayudándonos a meditar sobre el pensamiento ético y humanista de los fundadores del modelo.

Por: Redacción 19 Abr, 2023
Lectura: 2 min.
Economia social de mercado. Libro. KAS
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.
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Economía Social de Mercado: fundamentos e implementación es una interesante obra escrita por el filósofo chileno Eugenio Yáñez, quien durante su larga trayectoria por Latinoamérica compartiendo conferencias, charlas y publicaciones sobre la materia, ha sido capaz de desarrollar un pensamiento crítico sobre la importancia de la ética en los procesos económicos, de igual manera, es un gran estudioso de los principios y el orden epistemológico que sentaron las bases de este modelo socioeconómico que dignifica a las personas.

Economía Social de Mercado

No se trata de un libro tradicional de economía, sino de un viaje hacia el sentido más loable de esta ciencia. Se reflexiona con hondura filosófica sobre la Economía Social de Mercado y, a partir de sus postulados teóricos, se expone que el fin supremo de la economía es el bien de la persona, por tanto, es una herramienta que debe estar al servicio de la humanidad.

A partir de esta concepción, Yáñez nos presenta un extenso recorrido por los orígenes teóricos de la ESM. Nos ayuda a meditar sobre el pensamiento ético y humanista de los fundadores del modelo. Y destaca, que la dignidad de la persona humana debe ser el centro de todas las decisiones políticas, económicas y sociales. Por lo tanto, se deben promover debates, consensos y políticas públicas que garanticen los derechos fundamentales de
las personas.

Poco a poco va desgranando para el lector las coincidencias entre la Economía Social de Mercado y la Doctrina Social de la Iglesia. En ese sentido, en el capítulo cinco se abren las puertas para la reflexión y el análisis sobre las afinidades entre ambos postulados. De aquí se extrae una conclusión fundamental. Es necesario un cambio de paradigma en la sociedad contemporánea hacia un orden económico para el que no baste el bienestar físico y social de la persona, sino también su espiritualidad.

Autor: Eugenio Yáñez

Primera edición: KAS Honduras

Fecha: Diciembre, 2022

Segunda edición: KAS Chile

Fecha: Mayo, 2023

ISBN: 978-956-7684-40-3

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Erosión del Estado de derecho en Latinoamérica

¿Cuáles son las razones de la debilidad institucional en la justicia latinoamericana?

Por: Redacción 18 Abr, 2023
Lectura: 1 min.
Bajo la Lupa. Estado de Derecho
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

La medición anual del Índice del Estado de Derecho 2022 del World Justice Project (WJP) concluye que la adherencia al Estado de derecho cayó en 61 %. Y, desafortunadamente, América Latina no fue la excepción. «La caída del Estado de derecho, el aumento del autoritarismo y los límites a los derechos fundamentales son tendencias preocupantes que se observan tanto a nivel global como en América Latina y el Caribe».

Cuáles son los motivos de esta erosión y qué podemos hacer para reducirla son algunos de los temas que hoy ponemos Bajo la Lupa. 

Participan

Ana María Montoya, directora de análisis de datos del World Justice Project.

Natalia Rodríguez, investigadora senior del World Justice Project.

Lee un resumen del informe sobre el Estado de Derecho en América Latina: una tendencia que se agudiza. Encuentra el informe completo aquí.

Bajo la Lupa es un podcast de Diálogo político. Un proyecto de la Fundación Konrad Adenauer.    

Conducción y realización: Franco Delle Donne | Rombo Podcasts.

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Drogas: Ecuador y Colombia un destino común

¿Ecuador en camino a convertirse en narco-Estado? La sociedad ecuatoriana y un liderazgo presidencial podrían evitarlo.

Por: Francisco Santos 17 Abr, 2023
Lectura: 6 min.
Frontera Ecuador-Colombia. Cortesía Presidencia de la República del Ecuador.
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Para entender lo que hoy le sucede a Ecuador con la violencia producto del negocio de la droga hay que regresar 13 años atrás al país vecino, Colombia. En el 2010 terminaba el gobierno de Álvaro Uribe con gran éxito en la lucha contra las organizaciones terroristas FARC y ELN y el desmonte de los paramilitares con la mayoría de sus líderes extraditados a Estados Unidos.

El éxito de esta lucha contra la criminalidad y por supuesto su negocio principal, el narcotráfico, tuvo dos efectos. El primero fue que muchas de las organizaciones criminales se asentaron en países vecinos. Las FARC en Venezuela y en Ecuador con aquiescencia de ambos gobiernos, y el ELN en Venezuela, donde se ha convertido en la primera organización terrorista multinacional del continente.

Lucha contra los cultivos de coca

El segundo efecto se dio por la exitosa lucha contra los cultivos de coca que en ocho años bajaron de 168.000 a 62.000 hectáreas. Esto llevó a un traslado y concentración del negocio del cultivo en tres regiones, dos de ellas fronterizas con el Ecuador: Putumayo y Nariño. La tercera fue el Catatumbo, vecina a Venezuela. No es coincidencia, pues, que los cultivos se trasladen a las fronteras con estas organizaciones criminales asentadas tranquilamente en los países vecinos.

Con más del 50% del cultivo en la frontera con Ecuador era obvio que las organizaciones criminales optaran por utilizar ese país para mover y exportar la coca. Una policía débil y sin capacidad para enfrentar a estas poderosas organizaciones y un gobierno populista cuya postura antiamericana le impedía cooperar en la lucha contra el narcotráfico eran el escenario ideal para este proceso, que creció intensamente y fortaleció a las organizaciones criminales ecuatorianas.

Efectos de la dolarización y la migración

Si a este hecho se suman la dolarización de la economía y la apertura a la migración que abrió las puertas a organizaciones criminales albanesas y mexicanas, el escenario ideal pasó a ser el escenario perfecto. Las condiciones para un gran negocio criminal en Ecuador estaban dadas. Solo faltaba una ultima decisión que tomó el siguiente presidente de Colombia, Juan Manuel Santos, en 2013.

En ese año, las hectáreas de coca estaban en 48.000. Pero la negociación con las FARC solo avanzaría si se cambiaba el modelo de lucha contra la coca. El gobierno dejó de lado la fumigación con glifosato y apoyó su restricción legal. Además, redujo los activos y recursos con los que enfrentaba este negocio ilegal. En 2018, durante el empalme entre gobiernos, se vio el daño que se le había hecho a la lucha contra el narcotráfico. La infantería de marina, encargada del control de los ríos, operaba apenas al 15% de su capacidad. Los ríos, la ruta fundamental en toda la cadena de producción del negocio de la coca, eran autopistas sin control alguno del Estado.

El resultado se vio rápidamente. En solo cinco años la coca pasó de 48.000 a 200.000 hectáreas en Colombia. El negocio floreció de nuevo y Ecuador ahora era un gran jugador en el traslado y exportación. Las trazas de lanchas rápidas que salían de todo el Pacífico ecuatoriano por el sur de Galápagos se multiplicaron. Ecuador se convirtió en una «autopista de la cocaína hacia Estados Unidos y Europa», escribió InsightCrime.

Lo que siguió casi que es predecible. Primero, el control territorial de las organizaciones criminales. Hoy, gran parte del Pacífico ecuatoriano está en manos de estas organizaciones. Guayas o Esmeraldas son territorio vedado para las agencias de seguridad. Y el epicentro de la violencia es Guayaquil, foco de exportación por el puerto y su capacidad logística, y escenario de disputas entre bandas dedicadas al microtráfico.

Esto último es el otro efecto esperado. Muchas de las organizaciones criminales ven el negocio del consumo como una línea obvia de acción. Las organizaciones transnacionales, los albaneses y los mexicanos con presencia en Ecuador subcontratan con bandas ecuatorianas y les pagan muchas veces con coca. Ahí crecen el microtráfico y el consumo y nacen las disputas violentas por el territorio. En el mismo Guayaquil, tanto en el sur como en la periferia, el control de estas organizaciones criminales es casi total.

Y viene un tercer efecto que es incluso más visible. Estas bandas criminales, con recursos inmensos producto del narcotráfico, se expanden a otras acciones delictivas como el secuestro, la extorsión y el asalto armado sofisticado a centros residenciales. Esto ya se ve en Guayaquil y seguramente se trasladará a otras ciudades. La tranquilidad de Ecuador y la seguridad de sus ciudadanos comienza a ser cosa del pasado y si el Estado no toma acciones correctivas con recursos, fortalecimiento institucional, planeación estratégica y cooperación internacional lo que han vivido hasta ahora, que es apenas el comienzo, se volverá inmanejable.

Desafío al Ecuador

Ecuador enfrenta una situación similar a la de Colombia a finales del siglo pasado. Sin criminalidad terrorista como las FARC y el ELN, pero sí con organizaciones criminales sofisticadas que se nutren del narcotráfico y se expanden a otros negocios. Colombia fortaleció su policía y su justicia en cooperación con Estados Unidos y con Inglaterra. Y, de estar a las puertas de ser un Estado fallido, logró derrotar a muchas de las organizaciones criminales, incrementar su costo de operación y así limitar su posibilidades y crecimiento.

Claro, el liderazgo de Álvaro Uribe en esos ocho años fue fundamental, pero sin una institucionalidad fortalecida poco se habría podido hacer. En esos dos gobiernos, la prioridad como base de todo lo demás fue la seguridad, para generar confianza que permitió el crecimiento económico.

Los narcos ecuatorianos la tienen clara. No en vano destruyeron el radar que podía dañarles un pedazo del negocio. Y no nos digamos mentiras van ganando la batalla. Si la sociedad ecuatoriana no se levanta, como lo hizo la sociedad colombiana muchas veces en las peores épocas, y si no hay un gran liderazgo Presidencial con recursos, con objetivos y con seguimiento detallado a toda una nueva política de seguridad —que hoy no existe— veremos a Ecuador convertirse en un narco-Estado como hoy es Venezuela o como lo será México si sigue en el camino por donde va.

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Francisco Santos

Francisco Santos

Periodista. Vicepresidente de la República de Colombia entre 2002 y 2010. Exembajador en Estados Unidos entre 2018 y 2021. Vicepresidente ejecutivo de la consultora Global Situation Room.

Falta de progreso global. Índice de percepción de corrupción 2022

La nueva edición del CPI muestra una tendencia de estancamiento en la lucha contra la corrupción. ¿Qué aprendizajes nos rinde este reporte?

Por: Zoe von Blücher López 14 Abr, 2023
Lectura: 5 min.
Índice de Percepción de Corrupción 2022
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Transparencia Internacional ha publicado su reporte anual sobre el índice de percepción de corrupción (CPI) para el año 2022. La organización no gubernamental con sede en Berlín se caracteriza por su independencia política, su transparencia financiera y su visión hacia una escena política global libre de abuso de poder para beneficios privados.  

Tomando en cuenta a 180 países, califica a cada uno mediante una escala del 0 (altamente corrupto) al 100 (transparente), con base en niveles de percepción de corrupción en el sector público, de acuerdo con diversos expertos y 13 fuentes de datos independientes. Desde Dinamarca (90) hasta Somalia (12), el reporte nos ofrece una visión de la paralización mundial en la lucha contra la corrupción.

Estancamiento a largo plazo

Durante once años consecutivos, el CPI promedio ha permanecido en 43. En el 2022, el 68% de los países analizados mantuvieron un puntaje inferior a 50.

Veinticinco Estados han logrado incrementar su puntaje en la última década. Algunos de ellos de manera drástica como Angola, Maldivas, Vietnam, Moldavia y Corea del Sur, aumentando hasta 14 puntos desde 2018. Sin embargo, la mayoría de estos aún permanecen bajo el promedio mundial.

Asimismo, el puntaje de 31 países como Reino Unido, Austria, Malasia y Canadá ha decaído en los últimos años, mientras que 124 naciones no mostraron cambio alguno en su CPI desde 2012. Por un lado, esto contradice la expectativa de muchos sobre un incremento en el abuso de poder gubernamental durante la pandemia. Por el otro, señala una alarmante trayectoria en la que la corrupción es la norma en la mayor parte del mundo.

[Lee también: Delia Ferreira Rubio: «Nuestro problema no es tanto de normas sino de implementación y práctica»]

Los peligros de la corrupción

El reporte nos recuerda que, aun en sociedades pasivas que consideramos democracias ejemplares, existen graves violaciones de deberes institucionales. Como consecuencia, recursos necesarios para la protección civil son reubicados hacia los bolsillos de mandatarios y empresas privadas.

Países con frecuente corrupción presentan niveles más elevados de crimen organizado, violaciones de derechos humanos, y desigualdad económica. Transparencia Internacional señala que la complicidad de diversas naciones en la corrupción transnacional fue particularmente evidente durante el 2022, ante la invasión de Ucrania.

Diferencias regionales

América mantiene un puntaje promedio de 43 por cuarto año consecutivo.  Además de Canadá (74) y Estados Unidos (69), en Latinoamérica lideran Uruguay (74), Chile (67) e islas del Caribe. Países al borde de la dictadura como Nicaragua (19), Haití (17) y Venezuela (14) tienen algunos de los peores puntajes a nivel mundial. El negativo desempeño del continente se le atribuye a la alta implicación del crimen organizado y a la debilidad de las instituciones democráticas.

Esperadamente, el puntaje más alto por región se encuentra en Europa Occidental, con un promedio de 66, liderado por los países escandinavos. Sin embargo, el reporte señala una falta de movilidad y, en ciertos casos, un retroceso observado en los últimos cinco años.

Al otro lado del espectro y con un promedio de 32, se encuentra África subsahariana, con 44 de sus 49 países por debajo del puntaje de 50. Seychelles, su democracia más fuerte, toma el lugar 23 a nivel mundial y primero en el continente.

El Medio Oriente y África del Norte caen a su puntuación más baja con 38, ligeramente superior a la de Europa del Este y Asia Central (35), donde se observa la debilitación de instituciones gubernamentales y la restricción a la libertad de prensa. Similarmente, Asia y Pacífico obtiene un puntaje de 45, debido al autoritarismo en auge y a restricciones a la libertad individual implementadas durante la pandemia.

Caldo de cultivo para la corrupción

Además de la debilidad económica exacerbada por la pandemia, el incremento del autoritarismo y las restricciones a las libertades civiles, un gran componente del estancamiento contra la corrupción son los conflictos armados.

Desde Rusia hasta Yemen, gran parte de los puntajes de CPI más bajos corresponden a naciones actualmente en, o saliendo de, combates internos o guerras. En los últimos cinco años, 130 países registraron significativas protestas sociales. Un 42% de estas fueron motivadas por descontento hacia el abuso de poder por parte del gobierno.

Asimismo, 80% de las protestas relacionadas con la corrupción sucedieron en países con un puntaje por debajo de 50.

Perspectiva hacia el futuro

Transparencia Internacional proporciona cuatro recomendaciones centradas en reforzar la división de poderes y el acceso a información pública, así como combatir la influencia privada y la corrupción transnacional. Estas sugerencias carecen de contenido factible, y no se refieren a las necesidades específicas que tienen las diferentes regiones.

El desmantelamiento de sistemas elitistas y abusivos que son parte del Estado desde su existencia no se soluciona simplemente mediante la implementación de leyes nuevas o falsa transparencia. En vez, el desafío está en exigir responsabilidad de gobierno por su implicación en conflictos, violaciones sistemáticas de libertades civiles.

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Zoe von Blücher López

Zoe von Blücher López

Estudiante de relaciones internacionales en la Universidad de Ciencias Aplicadas de Rhine-Waal, Alemania. Pasante en la oficina de la Fundación Konrad Adenauer en Uruguay (2023).

Colombia, ¿un país en reforma?

Petro llegó al poder con la promesa de un cambio profundo. Su proyecto político busca reformar la salud, el sistema de pensiones, la relación laboral. Pero su apoyo ha disminuido. ¿Hacia dónde va?

Por: Ana María Saavedra 13 Abr, 2023
Lectura: 7 min.
Gustavo Petro, presidente de Colombia. 2022 | Foto: Colprensa
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Gustavo Petro prometió el cambio en Colombia. La columna vertebral de su proyecto es una serie de reformas: pensional, de salud, laboral, rural, electoral y de la policía. Para impulsarlas ha desplegado una hiperactividad que lo mantiene constantemente en el centro de atención de los medios y las élites. La mayoría de sus reformas se tramitarán este año en el Congreso. Sin embargo, el apoyo presidencial ha cambiado y los primeros resultados de su gestión no han sido alentadores.

Las reformas de Petro

El presidente llegó al poder empujado por el inconformismo y el estallido social de 2021. Se incluyó en el cuadro una compleja mezcla de factores. Estos van desde las violaciones de derechos humanos por la fuerza pública, la falta de respuesta del gobierno Duque, las denuncias de infiltración de grupos ilegales y la destrucción de infraestructura pública. El caos social en varias ciudades del país fue el combustible de su ascenso al Ejecutivo.

En el último trimestre del 2022, luego de su posesión el 7 de agosto y con mayorías en el Congreso, logró la aprobación de su proyecto de reforma tributaria. Con esto buscó incrementar la recaudación del Estado entre 2023 y 2026. De igual forma, se aprobó la Ley de la Paz Total y la creación del Ministerio de la Igualdad, dirigido por la vicepresidenta, Francia Márquez.

[Lee también: Gustavo Petro, ¿100 días de «cambio» en Colombia?]

Pero la aplanadora programática del Pacto Histórico, la coalición de Petro apoyada por los partidos Liberal, Conservador, Alianza Verde, La U, MAIS y Comunes, parece que no le está funcionando de la misma forma con tres reformas estructurales: salud, laboral y pensiones.

«Las reformas no están saliendo por varias razones. La primera es porque la información no ha sido pública, los textos no han sido públicos. Los grupos de interés, gremios, estudiantado, intelectuales y medios de comunicación no hemos tenido acceso a los textos. Ha faltado democratización en esto y, cuando lo quieren llevar a la opinión pública, no lo hacen de una forma asertiva», nos explicó Luciana Manfredi, profesora de ciencias políticas de la Universidad Icesi de Colombia.

«Esas alianzas que tiene con los partidos no son un apoyo incondicional, son dinámicas», agregó Manfredi. Y ya se están viendo fracturas en esa unidad, como con la reforma política, que el mismo Petro pidió retirar, o con los anuncios de los jefes de los partidos Liberal, Conservador y La U de no apoyar la reforma a la salud y de radicar un texto alterno.

El desgaste de la reforma a la salud

Con el inicio de 2023, el gobierno del Pacto Histórico impulsó su reforma del sistema de salud. Antes de conocer las ideas del texto, la propuesta polarizó el debate en medios de comunicación y redes sociales. El primer borrador fue presentado a la Cámara el 13 de febrero. No obstante, la falta de una exposición pública del texto y los problemas de comunicación desde el Ejecutivo han sido su piedra de tranca.

Esta es quizá la reforma que más polarización ha generado y que, a juicio de César Caballero, gerente de la agencia Cifras y Conceptos, le ha costado la disminución de la popularidad de Petro. «Él perdió la pelea ante la opinión pública frente al tema de salud por terquedades a la ministra. El país necesita una reforma a la salud, pero la gente le está diciendo que no esa que se presentó», dijo. Las críticas a la reforma también están presentes a lo interno del gabinete ministerial, con la posición discordante de algunos jerarcas.

Como escribió el profesor Rodrigo Uprimmy del centro de estudios Dejusticia: «El proyecto gubernamental arrancó mal: algunos de sus diagnósticos eran falsos, como aquella declaración, sin sustento, del presidente de que nuestro sistema de salud era uno de los peores del mundo. Además, el gobierno, como lo destacó la profesora Claudia Vaca, gran conocedora de estos temas, en vez de construir su proyecto a partir de consensos sobre los problemas del actual sistema, como sus debilidades en atención primaria, se centró en defender, como si fuera un asunto de honor, algunos puntos divisivos, entre ellos, la supresión de las entidades promotoras de salud».

Protestas en Bogotá contra las reformas de Petro, sept. 2022 | Foto: Shutterstock
Protestas en Bogotá contra las reformas de Petro, septiembre 2022 | Foto: Shutterstock

Más reformas

Pero mientras avanzan las discusiones de la reforma a la salud, enfrascadas en la instalación de un modelo público, el gobierno presentó al mismo tiempo la reforma laboral y la reforma del sistema de pensiones. Con tamaña agenda, no es claro si Petro logrará tener las aprobaciones necesarias este año, pues solo le queda hasta junio para el cierre de este año legislativo.

Si el presidente colombiano no logra sacar al menos una de las reformas, será un revés crucial. Un aspecto juega en contra: el siguiente periodo legislativo se cruza con las elecciones de alcaldes y gobernadores, vitales para los congresistas, pues sus reelecciones se apalancan en el poder que tienen en sus departamentos. Constituye un incentivo para demorar el debate parlamentario. Así, falta ver cómo termina la partida de ajedrez de los votos que el Pacto Histórico puede aportarles, las alianzas regionales y las votaciones de las reformas de Petro.

Las reformas en las calles

En apariciones públicas, el presidente ha invitado a los colombianos a que se movilicen para defender las reformas. «El cambio no es posible sin el pueblo. Lo que se eligió no fue simplemente a una persona, lo que se hizo en la elección fue volver al pueblo gobierno, volver al pueblo poder», ha dicho. Pero esa apuesta no le ha funcionado. Tanto sus defensores como sus opositores marcharon a favor y en contra de las reformas, especialmente la de salud. El pulso pareció favorecer a la oposición, que tuvo más fuerzas en las calles.

La situación del país y el ambiente no es la misma de 2021, cuando los colombianos salieron a protestar contra la reforma tributaria del gobierno Duque. Por tanto, la acción de pedirle a sus seguidores que salgan a las calles para presionar a los congresistas a votar a favor de sus reformas puede que no salga bien.

¿Petro hiperpresidente?

Nicolás Díaz, director ejecutivo de Extituto, asegura que con las reformas el gobierno progresista ha tratado de concentrar mucho más poder. Pero muchas de estas reformas no se están concretando y es claro el contrapeso de los poderes. Por ello, es muy prematuro hablar de un gobierno con un hiperpresidencialismo efectivo, como ocurrió con Álvaro Uribe o con Hugo Chávez en Venezuela.

En Colombia «sí está aumentando el Estado benefactor y eso hace que el gobierno tenga más poder; pero, en términos de reformas políticas y electorales, no ha logrado hacer reformas como las que hicieron Uribe y Chávez. A Uribe, el contrapeso de ese hiperpresidencialismo fue la Corte Suprema que limitó su segunda reelección», dice Díaz.

César Caballero coincide en que las actuaciones de Petro siguen siendo muy institucionales. «Se debe mirar en dos niveles: uno es el Petro que trina [en Twitter], que es caótico, desordenado y beligerante. Que ataca medios y genera peleas con otros países como Salvador, Perú e Israel, lo que tiene un costo en materia de relaciones internacionales. Y el otro es el que hasta ahora ha actuado respetando las reglas de la democracia y que ha tenido una reforma tributaria más moderada de lo que la gente preveía».

Este es el panorama de Colombia, un país que está en reforma. Lo que no es claro es si estas transformaciones lograrán terminarse o tendrán modificaciones que las alejarán del cambio profundo que prometió Petro en campaña.

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Ana María Saavedra

Ana María Saavedra

Periodista colombiana. Directora de Colombiacheck. Ha trabajado como editora del diario «El País» de Cali. Becaria del programa Balboa en «El País» de España.

Guatemala: ¿una democracia que se niega a morir?

En un país con gobiernos señalados por la corrupción, donde las instituciones democráticas no paran de erosionarse, la decepción es un sentimiento generalizado. En tres meses, nuevas elecciones pondrán a prueba la transición institucional.

Por: Álvaro Bermúdez-Valle 12 Abr, 2023
Lectura: 7 min.
Periferia de Ciudad de Guatemala | Foto: Shutterstock
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Era 2015 y sábado a sábado, durante seis largos meses, en Guatemala miles de personas se manifestaban indignados frente al palacio de gobierno. Exigían la renuncia de la entonces vicepresidenta Roxana Baldetti, primero, y del presidente Otto Pérez Molina, después. Ambos estaban señalados por el Ministerio Público y la Comisión Internacional contra la Impunidad (CICIG) como responsables de una compleja red de defraudación aduanera.

La CICIG, el mecanismo independiente de investigación criminal bajo el auspicio de la ONU, actuaba en apoyo a la fiscalía guatemalteca. En ese momento estaba liderada por el comisionado Iván Velásquez —que ulteriormente se convertiría en el ministro de defensa de Colombia— y tenía casi una década en el país. Bajo la gestión de Velásquez, la fiscalía guatemalteca y la CICIG habían estrechado y acelerado su cooperación. Eso permitió que el mandatario guatemalteco y su vicepresidenta llegaran a los tribunales.

Gobiernos señalados por corrupción

El de Pérez Molina, un general retirado firmante de los acuerdos de paz, no fue el único de los gobiernos guatemaltecos señalados de corrupción. Sobran rumores —así como notas de prensa— de mecanismos de corrupción cada vez más sofisticados. Desde el que se llevó incluso las lámparas del palacio de gobierno, pasando por el que huyó con sacos de dinero desde la casa presidencial antes de abordar un avión a un país de donde no pudiese ser extraditado, así como los que hicieron de la privatización de los servicios públicos un negocio para sí o el que inventó y utilizó mecanismos de asistencia social de manera clientelar, al mismo tiempo que desfalcaban el erario público.

Pero la CICIG y la fiscalía guatemalteca, más allá de anécdotas, presentaron pruebas. La renuncia del mandatario y su presencia en tribunales —el primer caso judicializado con éxito de la comisión— pretendía ser ejemplarizante para los ciudadanos, pero también para los funcionarios públicos: cualquier persona, sin importar su cargo, puede ser alcanzada por la ley.

El arresto y detención de Molina y Baldetti generó una explosión de civismo entre los ciudadanos. Estos acreditaban la caída del gobierno corrupto a la presión de las marchas populares alimentadas por las investigaciones fiscales .

Pero no todos estaban contentos con los resultados del experimento de la CICIG. El nuevo gobierno (2016-2020) se enfrentó con la comisión desde el inicio. Ello sucedió cuando Velásquez señaló al círculo familiar del presidente por actos inapropiados e ilegales durante la campaña. El enfrentamiento llevó a la expulsión de la comisión en 2019.

La ciudadanía guatemalteca, poco acostumbrada a la organización y lucha política, y quizá aún exhausta de la batalla contra Molina, a pesar de su apoyo moral a la comisión, esta vez no salió a defenderla.

Democracia: erosión lenta pero sin pausa

Una nota de la BBC sobre el cierre de operaciones de la comisión, recoge: «Hoy, la sociedad guatemalteca está en una encrucijada: retroceder y someterse al predominio de estos cuerpos ilegales o continuar con la desarticulación de estas redes y apoyar a fiscales y jueces independientes y articular una coalición alternativa que renueve la democracia e impulse un sistema de justicia fuerte e independiente» (BBC Mundo, 2019).

La erosión de las instituciones democráticas en Guatemala ha sido lenta, pero sucede sin pausa. Las y los guatemaltecos observan indolentes un Estado y un régimen democrático de los que aceptan un rendimiento mínimo.

Por ejemplo, la economía de Guatemala es la más grande relativamente entre sus pares de la región centroamericana (Banco Mundial, 2022), pero tiene la segunda tasa de incidencia de pobreza y uno de los menores índices de desarrollo humano del continente, solo después de Haití y Honduras (PNUD, 2021).

PIB de países de Centroamérica en MM USD

PIB de Centroamérica, 2010-2019
Fuente: Banco Mundial (2022).

Como señala LAPOP (2022, p. 19), los guatemaltecos están dispuestos a sacrificar su incipiente democracia y elecciones a cambio de la solución de problemas de ingresos y la obtención de servicios básicos.

La frase de Tanaka (2005) sobre el sistema político peruano, al que califica como una democracia sin partidos, encuentra su mejor símil en Guatemala. En promedio, una veintena de partidos políticos (78 en total), que por regla general cumplen con requisitos legales pero carecen de estructura, cuadros e incluso ideología, han participado en elecciones presidenciales desde el retorno de la democracia en 1985. Es sintomático que ninguno de los partidos que compitió en 1985 exista en la actualidad.

Partidos políticos por elección, 1985-2019

Guatemala: Partidos políticos por elección, 1985-2019
Fuente: Elaboración propia a partir de datos del TSE y de Georgetown University/OEA.

Esto no ha sido una expresión de pluralidad en la democracia, sino el reflejo de una sociedad dividida, un sistema de partidos viciado y la incapacidad ciudadana de desarrollar un proyecto político verdaderamente representativo e incluyente.

En pandemia, protestas pacíficas contra el presidente de Guatemala, nov. 2020 | Foto: Shutterstock
Protestas contra el presidente de Guatemala, nov. 2020. Foto: Shutterstock

De cierta forma, Guatemala constituye un caso sorprendente en la región. Al comparársele con sus vecinos con sistemas de partidos aparentemente más institucionalizados y sólidos, como México y El Salvador, y la constante decepción hacia los políticos y las instituciones democráticas (LAPOP, 2022) sorprende que no haya sido el Ejecutivo guatemalteco el primero en ser ocupado por un líder carismático con pretensiones autoritarias dispuesto a sustituir por sí mismo a toda la institucionalidad del país.

Abstencionismo en Guatemala, 1999-2019

Abstencionismo en Guatemala, 1999-2019
Fuente: Elaboración propia a partir de datos del TSE.

Guatemala parecía la más vulnerable de las jóvenes democracias seducidas por discursos populistas. Sin embargo, durante la última década, el abstencionismo ha sido inferior al de países como Chile (53 %, 2021), Colombia (42 %, 2022) e incluso Costa Rica (41 %, 2022). La democracia, de momento, resiste.

La lucha que se advirtió desde la partida de la CICIG está en proceso. Guatemala, otra vez, es un país en transición. Al día de hoy, los guatemaltecos se encuentran entre los ciudadanos que cada vez menos confían en las elecciones en toda la región. Solo uno de cada tres (32 %) confía en el proceso electoral. Cada vez se observan con mayor admiración, y cierto morbo, medidas autoritarias que, en detrimento de la institucionalidad democrática, aparentan resolver problemas ciudadanos.

Confianza en las elecciones en América Latina

Confianza en las elecciones en América Latina
Fuente: LAPOP, 2022.

En solo tres meses los guatemaltecos están llamados a elecciones. Los ciudadanos cargan con un peligroso sentimiento de decepción generalizada esperando, en el mejor de los casos, que las cosas sigan igual.

Pero tal fatalismo solo puede ser antesala de un proceso de detrimento de la democracia y sus instituciones. El país no necesita un proyecto político que enamore y excite a los ciudadanos, sino un proceso que devuelva la confianza y empodere a las y los guatemaltecos.

Las próximas elecciones son parte del proceso de transición institucional y democrática para el país, y como tal deben enfrentarse. Y es que «el mundo político cambia; de ahora en adelante hay que buscar nuevos remedios para nuevos males. […] Fijar al poder social límites extensos, pero visibles e inmóviles; proveer a los particulares de ciertos derechos y garantizarles el goce indiscutible de esos derechos; lograr que se preserve en el individuo lo poco de independencia, de fuerza y de originalidad que aún le quedan; elevarlo al nivel de la sociedad y sostenerlo frente a ella […]» (Tocqueville, 2020; p. 827). Este es el reto que el país enfrenta.

Concebir la situación actual y las próximas elecciones como la inercia de un procedimiento más, de un país que no puede ser mejor, y no como un proceso a través del cual se posibilita un cambio que fortalece la democracia y mejora la calidad de vida de los ciudadanos, es una trampa en la que no pueden caer los ciudadanos.

En este momento, solo los guatemaltecos pueden defender su democracia.

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Álvaro Bermúdez-Valle

Álvaro Bermúdez-Valle

Politólogo. Docente e investigador de la Maestría en Política Educativa de la Universidad Centroamericana José Simeón Cañas. Fue responsable del Programa de Personas Desaparecidas del CICR en El Salvador.

Los temas pendientes del Estado plurinacional en Bolivia

Bolivia cumple 13 años desde la fundación del Estado Plurinacional. ¿Qué retos siguen vigentes? ¿Qué ha sido positivo y qué ha sido negativo?

Por: Alan E. Vargas Lima 10 Abr, 2023
Lectura: 6 min.
temas pendientes del Estado plurinacional en Bolivia
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Repensar el Estado plurinacional

En el primer mes de 2023 se celebró un aniversario más de la fundación y constitucionalización del Estado plurinacional, como sucede cada año en Bolivia. Ello, por disposición del decreto supremo 405 de 2010, en virtud del cual se reconoció al 22 de enero de cada año como Día de la Fundación del Estado Plurinacional de Bolivia. Asimismo, se declaró ese día feriado con suspensión de las actividades públicas y privadas a nivel nacional.

Esta celebración nos brinda la oportunidad de repensar la idea de Estado plurinacional que se tiene en Bolivia, el primero del continente y el mundo en adoptar ese modelo. Las repercusiones han llegado a otros lugares donde también discutieron la factibilidad de implementar este concepto como modelo constitucional, como fue el reciente caso del proceso constituyente de Chile.

Reconocer derechos de los pueblos originarios

Como lo advertí en mi investigación sobre justicia constitucional en Bolivia (2021) —en la que indagué sobre el origen de la configuración constitucional del Estado plurinacional—, fueron las propuestas de las principales organizaciones indígenas las que enarbolaron esta idea, demandando el reconocimiento de los derechos de los pueblos indígenas originarios campesinos, así como también una mayor participación en las actividades del nuevo Estado que se tenía que construir en la Asamblea Constituyente.

Producto de ello fue que el primer artículo de la Constitución Política del Estado (CPE) aprobada el 2009 lo caracteriza como un Estado unitario social de derecho plurinacional comunitario, libre, independiente, soberano, democrático, intercultural, descentralizado y con autonomías, que se funda en la pluralidad y el pluralismo político, económico, jurídico, cultural y lingüístico, dentro del proceso integrador del país. El artículo tercero refuerza este entendimiento, al señalar que: «La nación boliviana está conformada por la totalidad de las bolivianas y los bolivianos, las naciones y pueblos indígena-originario-campesinos, y las comunidades interculturales y afrobolivianas que en conjunto constituyen el pueblo boliviano».

Retos de implementación

Algo similar sucedió en Ecuador, que en el primer artículo de su Constitución (2008), también se declaró como un «Estado constitucional de derechos y justicia, social, democrático, soberano, independiente, unitario, intercultural, plurinacional y laico».

Este modelo sui generis de Estado, implantado por el constituyente boliviano, conjuga varios elementos que se encuentran explicados con mayor detalle doctrinal y desarrollo jurisprudencial en el libro a que hago referencia.

[Lee también: Bolivia: 40 años de una democracia que aún se construye]

Ahora bien, la implementación de este modelo en Bolivia —más allá de su teleología— da cuenta de importantes retos vigentes. Así, por ejemplo, si bien la configuración del Estado plurinacional tuvo la virtud de haber consagrado el autorreconocimiento de un país diverso, hay que reconocer que los pasos andados hasta ahora no han sido los más acertados para lograr satisfacer aquellas legítimas aspiraciones de los pueblos indígenas y la población urbana en su conjunto, quienes hasta ahora siguen viendo la vulneración constante y sistemática de sus derechos.

Un modelo institucional debilitado

Por ello, se ha manifestado un descontento generalizado en la población boliviana, dado que —en contraste con lo definido por la Constitución—, en estos últimos años, el Estado plurinacional se ha debilitado a nivel institucional, sobre todo por la actitud arbitraria de un «presidente indígena» que no se subordinaba a la Constitución, sino que, por el contrario, la infringía de manera reiterada, a través de sus continuos intentos de perpetuarse en el poder, después de haberlo ejercido por más de una década. Esto ha provocado graves conflictos sociales que finalmente derivaron en la renuncia del presidente y la posterior sucesión presidencial dentro de los márgenes previstos en la Constitución (lo que desvirtúa en consecuencia que hubiera existido un presunto golpe de Estado).

Por su parte, el Órgano Legislativo se ha convertido en una instancia subordinada a las determinaciones del Órgano Ejecutivo. Y las propuestas normativas de este suelen ser aprobadas por órdenes superiores, sin mayor debate ni discusión y, muchas veces, sin ningún conocimiento de la ciudadanía, restringiendo además la participación de los sectores de oposición presentes en la Asamblea Legislativa Plurinacional.

De igual forma, el Órgano Judicial no goza de independencia plena en el ejercicio de sus funciones, dado que existe una constante injerencia política en sus actividades. No es posible, en ese contexto, garantizar a los bolivianos y bolivianas el acceso a una justicia independiente, imparcial, pronta y oportuna, como proclama la Constitución.

Justicia en estado crítico

Es evidente que la elección por voto popular de los magistrados de los máximos tribunales de justicia del país no ha sido una solución idónea a la actual crisis estructural del sistema judicial del Estado. Todo esto justifica adoptar una inmediata reforma judicial vía referendo popular; más aún si se considera que la corrupción judicial (falta de idoneidad), el retardo de la justicia (mora procesal) y la manipulación política del sistema judicial (politización de la justicia) han sido las causas determinantes del estado crítico en que ahora se encuentra.

Asimismo, y a esta altura de los acontecimientos, no es posible enarbolar de manera aventurada las banderas del federalismo en el país sin haber culminado la tarea pendiente de consolidar el Estado plurinacional con autonomías que consagra la Constitución. Esto ha sido refrendado mayoritariamente por la voluntad popular y requiere de mayores consensos, antes que atropellos a los gobiernos autónomos.

Atender los reclamos locales

En consecuencia, resulta incoherente el mensaje presidencial que, aparentemente centrado en la unidad y estabilidad económica, ha sostenido que el reciente aniversario del Estado plurinacional representaría «la consolidación de la revolución democrática y cultural». En realidad, desde esferas del mismo Gobierno central se está persiguiendo a los opositores, promoviendo continuamente la confrontación entre bolivianos. Ello ha provocado la aparición de voces regionalistas que pretenden profundizar la división entre los departamentos del país, lo que no nos asegura una sana convivencia.

Entonces, considero que ya es hora de deponer actitudes y atender con prontitud los reclamos y necesidades que se están pronunciando en todos los departamentos. Deberá hacerse a través del diálogo, de manera consensuada y sin condiciones, entre las autoridades del Gobierno central y las autoridades electas, para así evitar mayores conflictos y preservar el bienestar de todos(as).

Publicado originalmente en Agenda Estado de Derecho el 1 de marzo de 2023.

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Alan E. Vargas Lima

Alan E. Vargas Lima

Abogado especialista en derecho constitucional y derecho procesal constitucional. Miembro de la Academia Boliviana de Estudios Constitucionales (ABEC) y del Instituto Latinoamericano de Investigación y Capacitación Jurídica (Latin Iuris, Bolivia).

Francisco, su fe y su política

¿Fue Francisco un Papa progresista? ¿Cuál era su visión sobre la relación entre fe y política? ¿Francisco cambió la doctrina del catolicismo o solo la forma de explicarla?

Por: Miguel Pastorino 6 Abr, 2023
Lectura: 8 min.
Papa Francisco. Fuente: Shutterstock
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Al hablar del papa Francisco, muchas son las voces que se cruzan entre el elogio y la crítica, entre la esperanza de algunos y la decepción de otros, para tratar de entender un fenómeno que no es clasificable en los esquemas ideológicos a los que estamos acostumbrados.

En este artículo nos limitaremos a dar algunas claves del pensamiento del Papa Francisco para tratar de comprender con una mirada que abandone los lugares comunes, el elogio o la crítica, y cuente con otras perspectivas que ayuden a entender lo que para algunos puede resultar paradójico o confuso. Para comprender a Bergoglio no he leído mejor obra que la del filósofo italiano Massimo Borghesi, que ayuda a conocer sus lecturas, influencias e itinerario intelectual.

El catolicismo como realidad extraña

En el siglo XIX, con la emergencia de las ideologías políticas, muchos comenzaron a pensar el catolicismo con las mismas categorías que un partido político. Eso ha sido un grave error que oscurece la más elemental comprensión de la fe católica.

Lo que podemos llamar izquierda y derecha (con todos los límites) tiene una historia muy breve, y el cristianismo tiene una historia de dos milenios. La doctrina social de la Iglesia (DSI), al poner a la persona y su dignidad por encima del capital, del Estado o de cualquier estructura o sistema, es imposible de amalgamar con las ideologías políticas.

Por eso cuando Juan Pablo II, gran enemigo del comunismo, escribió sobre el capitalismo salvaje y contra los peligros del neoliberalismo, dejó perplejos a muchos que creían ver en él un aliado del capitalismo. Porque es doctrina del catolicismo denunciar lo que provoque injusticias, desigualdades y exclusión de los más pobres y vulnerables, sin importar cual sea el papa.

[Lee también Migración en reversa, ¿nuevo reto para América Latina?]

La doctrina social de la Iglesia, desde León XIII hasta nuestros días, tiene un desarrollo que no ha dejado de interpelar a quienes creían conciliar fácilmente la fe cristiana con su ideología política.

Existen católicos comprometidos en diferentes opciones políticas y en diversidad de partidos. El magisterio de la Iglesia da orientaciones generales acordes a la visión cristiana del hombre y a los valores del Evangelio, pero no consagra ninguna ideología política.

Valora el legítimo pluralismo de opciones políticas y recuerda siempre los principios no negociables de la ética cristiana respecto de la defensa del bien común, de la justicia y de la dignidad humana.

Papa Francisco orando ante el corazón de san Vicente de Paúl. Roma 2017. Fuente: Wikimedia.
Papa Francisco orando ante el corazón de san Vicente de Paúl. Roma 2017. Fuente: Wikimedia.

Cambio en el estilo, no en la doctrina

Francisco no ha cambiado la doctrina de la Iglesia. Su estilo relajado y espontáneo ha hecho pensar a muchos que estaba cambiando la doctrina, pero no ha sido así. De hecho, ningún papa de turno puede cambiar la doctrina de la Iglesia en las cuestiones fundamentales. No funciona como otras instituciones, donde por voto de mayoría o por imposición de su máxima autoridad se pueden cambiar los contenidos de la fe. Hay una autoridad por encima del papa y es la fe recibida desde el Evangelio y alimentada por una tradición viva.

Un ejemplo conocido de esta confusión es que cuando, ante una pregunta por la homosexualidad, Francisco dijo: «¿Quién soy yo para juzgar?». Eso no es nuevo, porque el Catecismo de la Iglesia Católica (1993) manda no discriminar ni juzgar a las personas por su orientación sexual, y exhorta a acompañarlas en la fe, pero no acepta el matrimonio entre personas del mismo sexo. No hay nada nuevo.

[Lee también ¿Cómo el presidente “más cool” se convirtió en autócrata?]

Los que lo califican de progresista no saben qué pensar cuando este papa habla en contra del aborto o de la llamada ideología de género, no para referirse al feminismo sino a algunas teorías sobre la sexualidad humana «que la reducen a una mera construcción sociocultural».

¿Progresista o conservador?

¿Es entonces un conservador que se hace el progresista? ¿Un progresista que se cuida de no escandalizar a los conservadores? Ni una cosa ni la otra. Es católico. Podrá gustar más o menos su estilo, pero la doctrina es católica. Tal vez su falta de precisión y rigor en los pronunciamientos doctrinales, por sus opciones de lenguaje más llano y comprensible, ha creado una creciente confusión dentro y fuera de la Iglesia. Hay quienes esperan de cada opinión suya un decreto doctrinal y ese no es su modo de comunicar.

Francisco es deudor de la misma hermenéutica que hace Ratzinger del pensamiento de San Agustín en cuanto a la Iglesia y la política. Ningún proyecto humano es inmaculado, ningún proyecto político puede presentarse como si fuera el cielo en la tierra, porque sacralizar lo político solo creará más frustración o derivas totalitarias.

No sacralizar ningún proyecto político

Al igual que Ratzinger, Bergoglio se opone a las teologías políticas de derechas y de izquierdas. Critica cualquier sacralización del poder político y del statu quo. Es deudor de la teología del pueblo, originada en Argentina (Gera, Scannone, etc.), que no enmarcaba al pueblo en categorías sociológicas ni marxistas, como hacían las teologías de la liberación. La perspectiva de esta teología revalorizaba la religiosidad popular latinoamericana, a diferencia de quienes veían en esta fe sencilla del pueblo una forma de alienación.

Así lo expresa Borghesi: «La teología del pueblo salvaba los valores fundamentales de la teología de la liberación —la opción preferencial por los pobres y la lucha por la justicia—, superando el aspecto violento tomado de la doctrina marxista». Se diferencia de los pontífices anteriores en su visión política más centrada en los movimientos populares que en las instituciones. O por lo menos, eso es lo que ha dado a entender.

Papa Francisco y fieles católicos | Foto: Shutterstock
Papa Francisco y fieles católicos| Foto: Shutterstock

Una vida contra la polarización

Su preocupación fue siempre la polarización social y, paradójicamente, le tocó ser el papa en un tiempo de creciente polarización, incluso dentro de la Iglesia. Su vida en una sociedad quebrada, herida y golpeada por la división, le llevó a que sus énfasis sociales y políticos estén marcados por esta dura experiencia y por el anhelo de la fraternidad entre los que, siendo hermanos, viven como enemigos.

Francisco ha desmitificado el papado. Lo volvió más simple y callejero, hablando en un lenguaje más espontáneo, sin que eso signifique que lo que dice en cada entrevista o en una conversación se transforme en doctrina. No todas las cuestiones tienen la misma relevancia para la doctrina católica, ni todas están en el mismo nivel.

La patria grande

El filósofo uruguayo Alberto Methol Ferré ha tenido una innegable influencia en el Papa Francisco. Lo que Espeche Gil dice de Methol, podría perfectamente decirse de Francisco: «Siempre consecuente con sus certezas y nunca obsecuente con tendencias de modas intelectuales —con lo políticamente correcto—, ya sea de derecha o de izquierda, y eso se paga por derecha y por izquierda… Trató, y creo que lo logró, de no estar ni un milímetro más a la derecha o a la izquierda del Evangelio, pero con una clara y decidida preferencia por los pobres, sin paternalismos humillantes. En tal caso, se podría deducir erróneamente que el Evangelio está en un aséptico centro, cuando en realidad está por arriba del centro, y por arriba de la derecha y de la izquierda».

[Lee también ¿Cómo fue la relación de Francisco con Latinoamérica?]

Methol tenía la profunda convicción de que América Latina es, ante todo, una comunidad lingüística y de fe, que hace del continente una patria grande. Esta visión, que muchas veces se asocia a la izquierda, es propia del pensamiento de Methol, de la teología del pueblo y, por ello mismo, también de Bergoglio.

Para Alberto Methol Ferré, el rol histórico de América Latina en lo político como en la fe debe comenzar por la reconstrucción de su unidad, por su integración, que es posibilidad de su desarrollo. En este sueño, la cultura juega un papel fundamental. Por ello, es esencial el diálogo entre fe y cultura, revalorizando la religiosidad popular tan propia de América.

Methol y Bergoglio compartieron el sueño de la patria latinoamericana que revaloriza la tradición popular cristiana y que América Latina ocupe su lugar con su rostro propio en el mundo globalizado. Es coherente con toda una filosofía y teología latinoamericana que, para quien la desconoce, solo puede ubicarlo en las modas políticas del momento.


Notas

[1] Borghesi, M. (2019). Jorge Mario Bergoglio: Una biografía intelectual. Dialéctica y mística. Madrid: Encuentro.

[2] Methol Ferré, A., y Metalli, A. (2013). El papa y el filósofo. Buenos Aires: Biblos.

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Miguel Pastorino

Miguel Pastorino

Doctor en Filosofía. Magíster en Dirección de Comunicación. Profesor del Departamento de Humanidades y Comunicación de la Universidad Católica del Uruguay.

Aplazados en transparencia

El resultado del Índice de Percepción de la Corrupción 2023 indica que la corrupción persiste como desafío a las democracias. Se podría resumir en aplazados en transparencia.

Por: Redacción 5 Abr, 2023
Lectura: 2 min.
Podcast aplazados en transparencia | Bajo la Lupa
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

La corrupción sigue ocupando un lugar importante en la agenda política del continente. Son pocos los países latinoamericanos que obtienen una buena calificación en el índice de percepción de la corrupción 2023 publicado por Transparencia Internacional.

Por qué la mayoría de los países en la región están tan lejos de tener niveles aceptables de transparencia, qué factores provocan este estancamiento, cuál es la relación entre autoritarismo y corrupción son algunos de los temas que hoy ponemos Bajo la Lupa.

[Aquí puedes leer el índice de percepción de la corrupción, de Transparencia Internacional]

Participa

Delia Ferreira Rubio, presidenta de Transparencia Internacional, especialista en temas de corrupción y experta en financiamiento de la política.

Experta en financiamiento de la política y actual presidenta de Transparencia Internacional, Delia Ferreira Rubio es una destacada especialista en temas de corrupción. En su carrera como asesora parlamentaria y consultora de organizaciones internacionales, Ferreira ha profundizado en la financiación de los partidos políticos y la rendición de cuentas partidarias.

Bajo la Lupa es un pódcast de Diálogo Político. Un proyecto de la Fundación Konrad Adenauer.

Conducción y realización: Franco Delle Donne | Rombo Podcasts

Redacción

Redacción

Plataforma para el diálogo democrático entre los influenciadores políticos sobre América Latina. Ventana de difusión de la Fundación Konrad Adenauer en América Latina.

Kirill Martynov: «La desinformación es la principal exportación de Rusia»

El jefe de redacción de la «Novaya Gazeta Europe» explica cómo funciona el periodismo bajo la censura del Kremlin. Hace un llamado a las democracias a no evitar la «complejidad geopolítica» y a criticar la invasión a Ucrania.

Lectura: 11 min.
Kyrill Martinov. jefe de redacción de Novaya Gazeta Europe. Entrevista en Montevideo. Marzo 2023
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Artículo original en español. Traducción realizada por inteligencia artificial.

Kirill Martynov es jefe de redacción de Novaya Gazeta Europe, la versión continental del periódico independiente fundado en 1993 en Rusia. Ha sido uno de los medios más perseguidos por el régimen de Vladimir Putin. En los últimos años sufrió el asesinato de siete periodistas. En 2021, el director de Novaya Gazeta, Dmitri Muratov, fue galardonado con el Premio Nobel de la Paz por los esfuerzos de sus investigaciones en promover la democracia y desentrañar el asedio del autoritarismo.

Desde que se inició la invasión rusa a Ucrania, Novaya Gazeta se vio obligada a cerrar sus oficinas en el país y trabajar en el extranjero. Desde afuera sigue informando a través de plataformas digitales.

Solo quieren decidir cómo vivir en su país

El presidente colombiano, Gustavo Petro, dijo que prefiere que las armas queden como «chatarra» en Colombia antes que dárselas a Ucrania. Otros líderes latinoamericanos han sido ambiguos sobre la guerra. ¿Qué siente al escuchar esto?

Mi consejo al presidente colombiano y a los demás políticos de la región es que hablen con ucranianos. Que les pregunten por qué empezó esta guerra, qué tienen en común con la OTAN, con Rusia o con estos asuntos geopolíticos que están compitiendo entre sí. Sólo son personas, millones de personas, que quieren decidir cómo vivir en su país. Personas que nunca invitaron al ejército ruso a entrar a Ucrania y que no son culpables de nada.

A estas personas las matan, las torturan y no les permiten utilizar su idioma y su cultura, por la fuerza. Si tenemos alguna idea de humanidad y de derechos humanos, tenemos que proteger a Ucrania. Todos queremos paz. Tenemos que entender que la única paz posible a largo plazo es la paz que se podrá alcanzar cuando Rusia se retire de los territorios ucranianos.

Imaginemos que Brasil, como enorme y poderoso país en la región latinoamericana, ataca a Uruguay. ¿Por qué? Porque Uruguay niega que, antiguamente, formaba parte del gran Imperio del Brasil. Entonces, si Uruguay comenzara a contraatacar, y a detener a los agresores, imaginemos que dijéramos «es un contexto geopolítico tan complicado, quizá tengamos que entender, quizá tengamos que obligar a Uruguay a tener negociaciones con este agresor». Esto es lo que ha ocurrido en Ucrania.

Periodismo en Rusia

¿Puede explicar a nuestros lectores cómo es ser periodista en la Rusia de Putin?

Me fui de Rusia hace un año, cuando introdujeron leyes que básicamente prohibieron nuestro trabajo. Si quieres cubrir lo que sucede en el mundo ahora, estás legalmente obligado a utilizar sólo una fuente oficial, las declaraciones del Ministerio de Defensa ruso, que son inútiles en cualquier sentido.

[Lee también: Un año de guerra, Latinoamérica y la narrativa del Kremlin]

Existe un patrón común para intimidar a periodistas en la Rusia contemporánea. Si no tienen ningún caso oficial en su contra, simplemente dicen que poseen evidencia de algún otro caso criminal, van a su casa y roban su computador y sus teléfonos. Y, después de eso, declaran que sólo estaban buscando evidencia sobre otros delitos.

Represión

¿Qué tipo de represión sufrieron usted y su periódico?

Sufrimos un ataque químico contra la sede de nuestra redacción en 2021, justo unos meses antes de ganar el Premio Nobel de la Paz. Supimos que este ataque fue obra de Wagner, una empresa militar privada y famosa agente de esta guerra. No murió nadie, pero se utilizó un fuerte producto químico y tuvimos que desalojar a la gente del edificio porque el olor era tan fuerte que era imposible trabajar.

Dmitri Muratov, nuestro director, sufrió un ataque personal hace un año. Él estaba en el tren y una persona le tiró pintura a la cara. Tuvo problemas de visión después de esto. El verdadero problema es que en esta situación no se puede pedir ayuda a la policía, porque nunca investigan nada. Hace 15 años asesinaron a nuestra reportera más famosa, Anna Politkovskaya, y nunca encontraron a la persona que ordenó su asesinato.

Nuestro último día de trabajo en Rusia fue el 28 de marzo de 2022. Después de esto, decidimos que era demasiado peligroso continuar. No sólo porque podían procesar a periodistas por cubrir la guerra, sino porque podían apuntar hacia cualquier persona al azar que estuviera vinculada con el periódico. Podían ser acusadas de tener una opinión extremista sobre el ejército ruso y ser encarceladas por 15 años.

Sebastian Grundberger y Kyrill Martinov, jefe de redacción de Novaya Gazeta Europe, en Montevideo. Marzo 2023
Sebastian Grundberger y Kyrill Martinov, jefe de redacción de Novaya Gazeta Europe, en Montevideo. Marzo 2023

Novaya Gazeta

¿Quiénes pueden leer Novaya Gazeta?

Después de que tuvimos que suspender y dejar de publicar Novaya Gazeta en Rusia, decidimos que queríamos alzar nuestra voz desde el exilio. Así fue como se creó Novaya Gazeta Europe. ¿Quién nos lee ahora? Distribuimos nuestra información a través de redes sociales, plataformas de mensajería. Una muy popular en Rusia es Telegram. Y YouTube, que es la mayor plataforma independiente del gobierno ruso en el país. Obviamente tenemos un sitio web, no en Rusia, pero algunas personas dentro de Rusia entienden cómo evitar la censura digital utilizando herramientas digitales.

También tratamos de estar en conexión con nuestros lectores. Por eso nosotros, y otros medios independientes en nuestra situación, proporcionamos diferentes newsletters, porque entendemos que es bueno que los más motivados e interesados en nuestro trabajo, y nuestra audiencia, siempre reciban información de primera mano de nosotros a través de correo electrónico.

Propaganda y desinformación

Oímos hablar mucho sobre la desinformación rusa. ¿Puede darnos algunos ejemplos?

La desinformación y la propaganda es lo que la Federación Rusa utiliza a nivel industrial. Es la principal exportación de Rusia al mundo. Intentan difundir noticias falsas en diferentes regiones de todo el mundo. Intentan dar la idea de que el gobierno ruso forma parte de un movimiento anticolonialista y antiimperialista contra Estados Unidos. Entonces, ¿por qué deberíamos matar a todos los ucranianos? Según esta absurda lógica, la razón es porque ellos son apoyados por los estadounidenses. Eso significa que, si quieres ser una fuerza anticolonialista, hay que matar a esta gente. 

[Lee también: Los rodeos de Latinoamérica ante la guerra en Ucrania]

Una de las cosas más terribles es lo que ocurre en un programa político común en la televisión estatal rusa. Imagina que hay siete hombres en el estudio y empiezan con un discurso diario del presidente Putin. Su video pregrabado puede ser sobre cualquier cosa, como la agricultura: «Tenemos una gran agricultura, impulsémosla más y más». Después de esto, el presentador dice: «Oh, fue un gran discurso de nuestro presidente; déjenme explicar lo que quiso decir». Luego, cada persona en el estudio comienza a competir por quién es el más admirador de Putin. «¿Es un genio?», «No creo que sea un genio, es probablemente la persona más importante en la historia de la humanidad, no es el estatus de genio ordinario». Pasan como 15 minutos así, no estoy bromeando. No sé cómo uno puede ver esto a diario, pero es lo que ocurre.

Mienten a diario

Ante millones de telespectadores continúan así: «¿Qué pasa con nuestros malvados enemigos en todo el mundo? Están rodeando a Rusia de todos lados. Quizá podamos confiar en China, pero no es seguro. Podemos perder esta guerra si no somos lo suficientemente valientes. ¿Qué significa la valentía para nosotros? Creo que tenemos que usar armas nucleares ahora mismo. Sí, es una gran idea. ¿Cuál puede ser un buen objetivo? Tal vez alguna pequeña ciudad ucraniana, sólo para mostrar nuestro poder. Tal vez deberíamos destruir algunos centros en los que se toman decisiones. Tal vez Berlín, o alguna otra capital europea, decidamos. Si no lo hacemos, perderemos esta guerra, y eso significa que Rusia desaparecerá del mapa y el gran pueblo ruso se convertirá en esclavo de los LGBT de Europa del Este». Algo por el estilo.

Si proporcionas este tipo de mensaje en los medios todos los días durante muchos años, creo que algunas personas decidirán que hay algo racional detrás, porque los que hablan en el estudio son personas que se presentan como expertos, médicos, científicos, analistas, etc., y mienten a diario.

La idea rusa de Occidente

Según los medios de comunicación rusos, ¿qué le diría un periodista gubernamental ruso a la gente sobre lugares como Berlín, Copenhague o Río de Janeiro?

La idea general sobre Occidente es que son culturas débiles, pervertidas y atrevidas. Es una extraña mezcla. Creen sinceramente que las sociedades occidentales están siendo destruidas por la propaganda LGBT. Dicen que por eso tenemos que proteger a nuestros hijos de ella. Esa es una línea muy importante: «estamos en contra de los gays. No somos como ellos porque estamos en su contra, no somos occidentales porque somos anti-LGBT».

La otra idea es que la gente en Occidente está pasando por graves dificultades. Por ejemplo, Rusia ha conseguido energía, y eso significa que es fácil que tengas temperaturas altas en tu apartamento durante el invierno. Pero en Europa Occidental y en Polonia es muy difícil pagar las facturas, «porque los políticos occidentales corruptos ya no quieren comprar gas ruso barato». Te cuentan historias como que el gran parque de Berlín está siendo destruido por gente cortando leña para dar calor a sus apartamentos. Realmente publican esas noticias. He comprobado en Berlín si hay leñadores en el parque y, por supuesto, no he visto ninguno.

Me escucho a mí mismo y suena realmente imposible, pero así es.

Kyrill Martinov y Kristin Langguth, representante adjunta del Programa Regional KAS Partidos. Entrevista en Montevideo. Marzo 2023

La lucha contra la guerra

Usted habla sobre el apoyo que existe en Rusia a la política de Putin, pero por otro lado también han tenido lugar muchas protestas. ¿Quiénes protestan? ¿Cuántos son?

Es difícil decir cifras exactas, porque no tenemos acceso a datos reales. La gente tiene demasiado miedo de hablar sobre lo que realmente piensa.

[Lee también: Un año de guerra, Latinoamérica y la narrativa del Kremlin]

Creo que aproximadamente un tercio de la población rusa es gran admiradora de la propaganda y la ve regularmente. Probablemente menos de otro tercio está en contra de la guerra, y la mayoría restante no entiende qué hacer. Hemos perdido cualquier tradición de acción política. No sentimos ninguna solidaridad dentro de la sociedad. Cualquier protesta es destruida. La gente simplemente sabe que, si pides la paz en Rusia, puede tener una persecución penal. La parte más importante de la población rusa en estos momentos es la que está en medio. Es gente que intenta vivir su vida ordinaria, e intenta estar lo más lejos posible de la guerra y de la política. No tiene ninguna opinión estable.

Nosotros luchamos básicamente por ellos. Intentamos proporcionar ayuda y apoyo a aquellas personas que están en contra de la guerra. Intentamos convencer a la sociedad rusa en general de que una guerra es un crimen inaceptable.

Presionar a los gobiernos

¿Qué puede hacer la gente como nosotros para apoyar el periodismo independiente en Rusia?

Creo que tenemos que presionar más a los gobiernos para que dejen de jugar en esta «complejidad geopolítica». Tenemos que proporcionar datos sobre los crímenes de guerra, asegurarnos de que cualquier país más o menos democrático del mundo vote en contra de esta agresión y no apoye a Putin. Esto es muy útil para nosotros, no en términos profesionales o financieros, sino simplemente en términos morales. No estamos aceptando esta guerra, no disfrutamos esto y no tuvimos otra opción. No es solo una decisión profesional, sino existencial. Así que dejemos esto claro para todo el mundo, también para personas como el presidente colombiano.

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Sebastian Grundberger

Sebastian Grundberger

Coordinador de los países andinos en la Fundación Konrad Adenauer.

Kristin Langguth

Kristin Langguth

Representante adjunta del Programa Regional Partidos Políticos y Democracia en América Latina, con sede en Montevideo, Uruguay.

Zoe von Blücher López

Zoe von Blücher López

Estudiante de relaciones internacionales en la Universidad de Ciencias Aplicadas de Rhine-Waal, Alemania. Pasante en la oficina de la Fundación Konrad Adenauer en Uruguay (2023).

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